GUADALAJARA — A Arquidiocese de Guadalajara abriu em 6 de outubro a fase diocesana da causa de beatificação e canonização do padre capuchinho Ignacio Larrañaga Orbegozo, fundador das Oficinas de Oração e Vida. A cerimônia ocorreu na cúria arquidiocesana, onde foram lidos o “nihil obstat” do Dicastério para as Causas dos Santos do Vaticano e o decreto do cardeal arcebispo Francisco Robles Ortega que autorizou o início do processo.
A arquidiocese foi escolhida porque Larrañaga morreu em seu território, em 2013. A instrução vaticana Sanctorum Mater, de 2007, estabelece que a etapa diocesana geralmente fica sob responsabilidade do bispo da diocese onde o candidato morreu.
Representando Robles Ortega, o bispo auxiliar Juan Manuel Muñoz Curiel participou da cerimônia. Ele descreveu Larrañaga como um “incansável buscador de Deus” e afirmou que o sacerdote ensinou milhões de pessoas a rezar e a viver em intimidade com Deus. Muñoz Curiel também disse que Larrañaga transformou a mística franciscana em um método acessível aos leigos.
Próximas etapas
O postulador diocesano, monsenhor Óscar Sánchez Barba, apresentou uma lista inicial de 50 testemunhas de 10 países, além de 47 livros e livretos escritos por Larrañaga e outros documentos sobre sua vida e obra. Um tribunal deverá ouvir as testemunhas e analisar os textos antes da elaboração da “positio”, documento que será enviado ao Dicastério para as Causas dos Santos.
Se o Vaticano reconhecer que Larrañaga praticou virtudes cristãs em grau heroico e o papa aprovar o decreto, ele será declarado venerável. Para a beatificação, ainda será necessário o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão.
Vida e obra
Larrañaga nasceu em 4 de maio de 1928, na província de Guipúzcoa, no País Basco espanhol. Em 1940, entrou no Seminário Menor Seráfico Capuchinho, em Alsasua. Mais tarde, passou pelo noviciado em Sangüesa e fez sua primeira profissão religiosa em 1948.
Ordenado sacerdote em 20 de dezembro de 1952, ele se dedicou à evangelização e à oração contemplativa. Chegou ao Chile em setembro de 1959. Em 1955, foi nomeado diretor do Centro de Estudos Franciscanos e Pastorais para a América Latina, o CEFEPAL, instituição pela qual promoveu iniciativas franciscanas em países da América Latina e da Europa.
A partir de 1970, passou a atuar como pregador e guia espiritual em viagens pelas Américas e pela Europa. Em 1974, lançou no Brasil os “Encontros com a Experiência de Deus”, voltados ao silêncio, à oração, à reflexão e à escuta da palavra de Deus.
Em 1984, em Santiago, no Chile, criou as Oficinas de Oração e Vida. O projeto ensinava métodos de oração e buscava aprofundar a vida cristã dos leigos. As oficinas se espalharam pelas Américas, Europa, Ásia e África e receberam, em 2022, aprovação da Santa Sé como Associação Internacional Privada de Fiéis de Direito Pontifício.
Larrañaga morreu nas primeiras horas de 28 de outubro de 2013, aos 85 anos, em Guadalajara, após 60 anos de sacerdócio. Ele escreveu livros sobre oração, sofrimento, confiança em Deus, conversão e busca da paz interior, entre eles “Sentir Sua Presença Oculta: Rumo à Intimidade com Deus”, “Do Sofrimento à Paz”, “O Silêncio de Maria” e “Irmão Francisco de Assis”.







