SANTIAGO — Representantes da esquerda chilena reagiram às declarações de Javier Milei sobre o golpe que derrubou Salvador Allende e ao período de governo de Augusto Pinochet. O presidente argentino falou nesta quinta-feira (3), em Santiago, durante encontro do Foro de Madri, organização de direita.
O senador Juan Luis Castro, do Partido Socialista (PS), afirmou que Milei ultrapassou os limites ao defender a queda de Allende e classificar a esquerda como “câncer”. A manifestação foi publicada pelo parlamentar no X.
A Fundação Salvador Allende também divulgou uma declaração de Maya Alejandra Fernández Allende, neta do ex-presidente e ex-ministra da Defesa no governo de Gabriel Boric. Para Maya, a fala do presidente argentino “normaliza a ruptura da ordem institucional e o golpe de Estado”.
Ela associou as declarações à proximidade do 11 de Setembro, data que marca o golpe de Estado de 1973. Segundo a neta de Allende, a ditadura iniciada naquele período foi responsável por torturas, assassinatos, desaparecimentos forçados e graves violações dos direitos humanos.
Discurso de Milei
Milei celebrou a posse recente de José Antonio Kast e disse que a derrubada de Allende, em 1973, abriu no Chile um ciclo de estabilidade e crescimento com duração superior a 40 anos. O presidente argentino afirmou ainda que o país se tornou motivo de “inveja em termos econômicos em toda a região”.
Na sequência, criticou os governos de esquerda que chegaram ao poder depois da redemocratização e chamou esse período de “a farsa do socialismo do século XXI”.
Kast assumiu a Presidência chilena em março. Ele costuma elogiar a política econômica do regime de Pinochet, que governou o país de 1973-1990, mas afirma que sua admiração não inclui as violações de direitos humanos. O irmão de Kast, Michael, foi ministro do regime e presidente do Banco Central do Chile.
Nesta quinta-feira, Kast recebeu Milei no Palacio de la Moneda, sede da Presidência chilena.








