O governo do premiê trabalhista Andy Burnham afirmou que manterá nas Ilhas Malvinas as forças necessárias para defender a soberania britânica enquanto os habitantes do arquipélago desejarem essa presença. A declaração foi dada na sexta-feira (4), após novas medidas anunciadas pelo presidente argentino, Javier Milei.
Um porta-voz do governo disse que as forças armadas britânicas permanecem de prontidão “24 horas por dia, sete dias por semana” para proteger o Reino Unido e seus interesses. Boris Johnson, ex-primeiro-ministro britânico entre 2019-2022, havia pedido o envio imediato de reforços militares às ilhas.
Disputa por petróleo
Na quinta-feira (3), Milei anunciou sanções contra empresas que explorarem recursos naturais nas Malvinas e a construção de uma base naval integrada na província da Terra do Fogo. A Argentina considera que o arquipélago está dentro do território da província.
A medida também envolve o projeto Sea Lion, voltado à exploração de uma reserva de petróleo localizada 220 km ao norte das ilhas. A previsão é que a extração comece em 2028, em uma operação das empresas Rockhopper, do Reino Unido, e Navitas, de Israel.
Johnson relacionou a iniciativa argentina a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível revisão da posição americana na disputa. Atualmente, os EUA mantêm neutralidade, mas reconhecem o controle britânico sobre as Malvinas.
Avaliação de Johnson
Em sua coluna, Johnson disse que Milei não pretende iniciar um confronto militar com o Reino Unido, mas pode estar usando a reivindicação territorial para mobilizar o sentimento nacionalista durante uma campanha difícil de reeleição. O ex-premiê também cobrou de Burnham uma afirmação firme sobre a soberania britânica e o envio de reforços para proteger os campos de petróleo de Sea Lion.
A disputa levou Argentina e Reino Unido à guerra em 1982, vencida pelos britânicos. Antes das medidas anunciadas por Milei, Buenos Aires mantinha a reivindicação de soberania por vias diplomáticas e em organismos internacionais.
Em um referendo realizado em 2013, 99,8% dos habitantes das ilhas disseram preferir a manutenção do status de território ultramarino britânico.








