São Paulo, Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00% São Paulo 18°C 17° / 24°
Mundo

Cuba condena ativista e mãe por vídeo de agente da Segurança do Estado

Anna Bensi e Caridad Silvente receberam dois anos de limitação de liberdade após publicar imagens de uma intimação em Havana.

Cuba condena ativista e mãe por vídeo de agente da Segurança do Estado

Um tribunal de Havana condenou a ativista e criadora de conteúdo Anna Sofía Benítez Silvente, conhecida nas redes sociais como Anna Bensi, e sua mãe, Caridad Silvente, a dois anos de limitação de liberdade. As duas foram consideradas culpadas por atos contra a intimidade pessoal e familiar após gravarem e publicarem a visita de um agente do Ministério do Interior à casa onde vivem.

A decisão foi tomada nesta quinta-feira (1º) pelo Tribunal Municipal Popular de Havana do Leste. A pena não prevê prisão, mas impede mãe e filha de deixar Cuba. A defesa poderá recorrer depois de receber a sentença por escrito.

Origem do processo

O caso começou em 10 de março, quando um agente à paisana foi à residência da família, no bairro de Alamar, em Havana, para entregar uma intimação relacionada a vídeos de Anna com críticas ao regime comunista cubano. Durante a gravação, o próprio agente afirmou que o documento havia sido emitido pela Segurança do Estado. Segundo a ativista, o campo destinado à justificativa da intimação estava em branco.

O agente denunciou a divulgação das imagens por suposta violação de sua intimidade. Em 25 de março, Anna e Caridad foram formalmente acusadas com base no artigo 393 do Código Penal cubano, que trata de atos contra a intimidade, a imagem, a voz, a identidade e os dados pessoais. A legislação prevê punições maiores quando o conteúdo é divulgado nas redes sociais.

A Promotoria Provincial de Havana arquivou o caso em abril, mas o processo foi reaberto meses depois, após uma nova queixa do agente. A defesa tentou interromper a ação, mas teve o pedido rejeitado.

Anna se identifica nas redes como cristã e anticomunista. Ela publica vídeos sobre apagões, baixos salários, falta de liberdade e outros problemas enfrentados pela população cubana. Antes do julgamento, relatou vigilância perto de casa, interrupções de telefone e internet e interrogatórios da Segurança do Estado. Também afirmou ter sido ameaçada de prisão caso continuasse fazendo as publicações.

O julgamento durou cerca de três horas e ocorreu sob forte segurança. Pessoas ligadas a grupos religiosos foram às proximidades do tribunal para apoiar as duas. Após a audiência, Anna chamou a condenação de “injustiça” e disse que apenas expressou suas opiniões de forma respeitosa.

A Polícia cubana defendeu o processo nas redes sociais. Para a corporação, “a possibilidade de publicar conteúdos na internet não elimina a responsabilidade sobre aquilo que é divulgado”. Cubalex e o Observatório Cubano de Direitos Humanos criticaram o caso e afirmaram que ele restringe a liberdade de expressão na ilha.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5