SUDÃO — Pelo menos 67 pessoas morreram no desabamento de uma mina de ouro no estado de Kordofan Ocidental, no Sudão. O acidente aconteceu na terça-feira (15/9), na mina de Al-Zara, perto de Al-Nuhud, área controlada pelas Forças de Apoio Rápido (FAR), grupo paramilitar envolvido na guerra civil do país.
A Rede de Médicos do Sudão, organização médica independente, divulgou a informação nesta quarta-feira (16/9). As equipes de resgate continuam procurando sobreviventes e trabalhadores que possam estar presos sob os escombros. As condições no local dificultam as operações, e a entidade afirmou que o número de mortos pode aumentar.
Críticas às condições de trabalho
A organização médica criticou a falta de medidas básicas de segurança e proteção na mineração da região. Para a entidade, a exploração de minas em áreas sob controle das FAR, sem equipamentos adequados para segurança, proteção e resgate, coloca civis em risco.
A Rede de Médicos do Sudão pediu a continuidade das buscas e do salvamento. Também solicitou que os responsáveis pela área ofereçam recursos médicos e logísticos para o atendimento às vítimas.
A entidade cobrou ainda medidas das autoridades locais para proteger civis e trabalhadores e defendeu a suspensão de atividades de mineração não regulamentadas, com o objetivo de evitar novos acidentes.
Mineração e conflito
A mineração de ouro é relevante para a economia sudanesa e ajuda a financiar forças envolvidas na guerra que atinge o país desde abril de 2023. O conflito entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido provocou uma grave crise econômica e deixou milhões de pessoas vulneráveis.
Sem empregos e alternativas de renda, parte da população passou a recorrer à mineração artesanal. Muitas atividades ocorrem em minas abandonadas ou sem estrutura oficial, como Al-Zaraa, o que eleva os riscos durante a exploração.








