A eleição brasileira deste domingo (4/10) ganhou destaque na imprensa internacional, que trata a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) como decisiva para o futuro político da América Latina.
A cobertura aponta uma corrida polarizada e de resultado incerto. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem alternando a liderança na reta final, enquanto buscam conquistar eleitores indecisos e alcançar 50% mais um voto. Caso nenhum candidato atinja esse percentual, o segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Campanhas sob escrutínio
A campanha de Flávio Bolsonaro foi associada a um episódio em que o senador teria sido gravado pedindo a um banqueiro acusado de corrupção US$ 26,8 milhões (R$ 100 milhões) para financiar um filme sobre seu pai. Também foram mencionadas especulações sobre a possibilidade de Bolsonaro retirar o status de padroeira de uma santa venerada no país.
A campanha de Lula, por sua vez, foi relacionada a alegações de corrupção ainda investigadas envolvendo seu filho e um ex-assessor. A cobertura também citou um escândalo envolvendo juízes da Suprema Corte, sem ligação com o presidente, mas apontado como fator de fortalecimento do voto antissistema e contrário ao governo.
A eleição é descrita como uma disputa entre a esquerda democrática, representada por Lula, e a extrema-direita da família Bolsonaro. O embate é o terceiro duelo eleitoral consecutivo entre os dois campos. “Os protagonistas mudam, mas não a essência”, afirmou um jornal espanhol.
Disputa com pequena diferença
A imprensa argentina classificou a eleição como a mais acirrada da história democrática do país. Lula e Flávio Bolsonaro estariam separados por três pontos percentuais nas pesquisas do Datafolha, a menor diferença entre os principais candidatos antes do primeiro turno desde 1989. Para o segundo turno, a distância seria de um ponto percentual.
A cobertura francesa também destacou as preocupações com a interferência dos EUA e afirmou que, apesar das implicações geopolíticas, o resultado continua principalmente condicionado por questões internas.
Outro jornal estrangeiro analisou o futuro da esquerda brasileira e avaliou que Lula, de 80 anos, afastou possíveis sucessores. Em caso de derrota na reeleição, o partido do presidente poderá permanecer fora do poder por anos.








