NOVA YORK — Os Estados Unidos foram o único país a votar contra uma resolução da Assembleia Geral da ONU que incentiva a adoção de mapas-múndi com menos distorções. A proposta recebeu 164 votos favoráveis, enquanto seis países se abstiveram, nesta sexta-feira (4).
Apresentada pelo Togo, a resolução não determina o abandono da projeção de Mercator, criada em 1569 pelo cartógrafo belga Gerardus Mercator. O texto recomenda a divulgação de representações como o Equal Earth, desenvolvido em 2018 para retratar de forma mais precisa o tamanho dos países.
Antes da votação, Yaryna Ferencevych, vice-representante dos Estados Unidos no Conselho Econômico e Social da ONU, pediu que os países rejeitassem a iniciativa. Ela afirmou que a resolução tinha conteúdo ideológico e que a Assembleia Geral deveria priorizar temas relacionados à paz internacional, à prosperidade e às relações entre países.
“Esta resolução ridiculariza o trabalho e o propósito desta instituição”, disse Ferencevych. Para ela, o debate sobre projeções cartográficas do século XVI estaria ligado a uma agenda de reparações e de “justiça cognitiva”.
A União Africana comemorou a aprovação em comunicado publicado no X. O grupo afirmou que a iniciativa havia sido aprovada inicialmente pela Assembleia da União Africana em fevereiro e classificou a decisão da ONU como um passo em direção a uma representação cartográfica mais precisa e equilibrada.
Segundo a União Africana, a projeção de Mercator reduz visualmente a África ao tamanho da Groenlândia, embora o continente africano seja 14 vezes maior. A organização defendeu o uso de mapas de áreas iguais, como o Equal Earth, em escolas, meios de comunicação e instituições internacionais.
A votação ocorreu em meio ao conflito entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a ONU. Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump cortou verbas destinadas à organização e passou a exigir reformas, acusando a instituição de burocracia, atuação ideológica e incapacidade de resolver questões mundiais importantes, como conflitos armados.
Nesse contexto, Trump criou o Conselho da Paz para gerir a Faixa de Gaza e manter o cessar-fogo no enclave palestino após a guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas. A iniciativa ainda não decolou e poderia, posteriormente, ser aplicada a outros conflitos.








