Governos europeus e a Otan aceleraram planos de defesa, reforçaram infraestruturas e começaram a preparar hospitais para um possível conflito com a Rússia. As medidas ocorrem após alertas sobre sabotagens, ataques cibernéticos, drones, violações de espaço aéreo e outras ações atribuídas a Moscou além da guerra na Ucrânia.
No dia 13, o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, reuniu autoridades do governo e dos serviços de segurança depois que instalações ucranianas foram atacadas a dois quilômetros da fronteira polonesa. O país reforçou a segurança e anunciou medidas adicionais nas passagens para a Ucrânia. Quatro dias depois, Tusk afirmou no Parlamento que a Rússia poderia realizar ataques híbridos contra países que apoiam os ucranianos, incluindo a Polônia.
Na França, Emmanuel Macron reuniu líderes partidários no dia 18 e determinou a elaboração de um plano para proteger infraestruturas críticas, instalações da indústria de defesa e empresas de tecnologia. A Otan também declarou que o comportamento russo se intensificou. “Essa ameaça é real”, afirmou a aliança.
Um dos episódios citados ocorreu no Aeroporto de Leipzig, na Alemanha, onde um drone com explosivos foi localizado em uma área restrita. O governo alemão atribuiu a operação à Rússia. O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, disse que os componentes e a tecnologia usados eram conhecidos em operações híbridas atribuídas a Moscou.
No dia 15, um caça italiano derrubou um drone que entrou no espaço aéreo da Lituânia vindo da direção de Belarus. Explosivos foram encontrados nos destroços. No dia 21, a Letônia acionou caças da Otan após detectar uma possível ameaça perto de Krāslava, na fronteira com Belarus e a Rússia. O alerta terminou cerca de duas horas depois, sem confirmação de que um drone tivesse entrado no país.
A Alemanha elaborou um plano nacional de defesa para integrar forças militares, empresas, transportes e autoridades civis. A Bundeswehr trabalha com a possibilidade de até mil militares feridos por dia em um conflito no leste da Otan e estuda reativar estruturas médicas construídas durante a Guerra Fria.
A União Europeia lançou, em março de 2025, uma estratégia que prevê estoques de equipamentos, reforço de hospitais e sistemas de energia, telecomunicações e transporte. A orientação é que a população mantenha suprimentos básicos por pelo menos 72 horas em uma emergência.
A inteligência da Lituânia informou que a Rússia amplia unidades militares próximas ao flanco oriental da Otan. Brigadas estão sendo reorganizadas como divisões no Distrito Militar de Leningrado, enquanto uma nova unidade equipada com mísseis Iskander-M começou a ser estruturada na região. O serviço avaliou que a capacidade russa para um grande conflito permanece limitada enquanto a guerra na Ucrânia consumir recursos, mas poderia crescer após um cessar-fogo.
O Kremlin nega que pretenda expandir a guerra para outros países europeus. O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que a Rússia não representa ameaça à França nem a outras nações do continente.







