José Ignacio deixou o trabalho no setor financeiro para cuidar em tempo integral da esposa, Claudia Celis, diagnosticada com Alzheimer de início precoce aos 44 anos. O casal vive em Houston e estava casado havia quase 30 anos quando recebeu o diagnóstico.
A doença provocou mudanças na rotina da família e reduziu a autonomia de Claudia. Nos últimos dois anos, ela passou a enfrentar dificuldades de orientação espacial e para realizar tarefas simples. José assumiu cuidados como higiene pessoal, alimentação e manutenção da aparência da esposa.
Claudia faz terapias de infusão hospitalar a cada duas semanas para tentar retardar a progressão do Alzheimer. A doença não tem cura, e José relata que uma das maiores dificuldades é a perda da reciprocidade na relação, já que Claudia muitas vezes não consegue responder aos estímulos da mesma maneira.
Para lidar com o cansaço físico e emocional, ele busca orientações profissionais, apoio espiritual e ajuda de amigos. Também procura manter um ambiente alegre em casa e preservar a dignidade da esposa, maquiando-a e cuidando de sua aparência. José diz tratar Claudia com a importância de uma rainha.
A progressão da doença também afetou os três filhos do casal: María José, Federico José e Anaisabel. Eles enfrentam o luto antecipado e a incerteza sobre a participação da mãe em momentos futuros, como formaturas e o crescimento dos netos. José defende que a família permaneça unida para oferecer apoio mútuo.
Fé e cuidado
A fé católica se tornou o principal apoio de José. Para ele, o amor é uma decisão diária, ligada aos votos feitos no altar, e não apenas um sentimento. Ele afirma que não teria forças para continuar sozinho sem o auxílio divino.
José recorre a São José como exemplo de cuidador e protetor e encara a tarefa como uma missão espiritual. Na visão dele, o sofrimento não é enviado por Deus, mas faz parte da vida; a presença divina é o que permite manter a alegria necessária para seguir cuidando de Claudia.








