Ilva Myriam Hoyos Castañeda foi nomeada ministra da Educação da Colômbia após Vivian Morales deixar o cargo por razões pessoais. O anúncio foi feito pelo presidente Abelardo de la Espriella, que agradeceu à ex-ministra e destacou em Hoyos “seu talento, força, integridade e defesa firme dos valores”.
A nova ministra terá de avaliar medidas iniciadas na gestão anterior, como a revisão de livros didáticos para retirar a ideologia “woke” das escolas. Também está em discussão um projeto de decreto que permitiria a entidades privadas, incluindo organizações religiosas, apoiar a prestação ou a administração de serviços educacionais em áreas com presença estatal limitada.
A proposta provocou debate sobre a participação das igrejas na educação pública e sobre o caráter secular do Estado. O padre Edilberto Estupiñán, diretor do Departamento de Educação da Conferência Episcopal, defendeu maior atenção à formação religiosa, moral e ética: “não receberam a devida atenção nos últimos anos”.
Desafios na educação
Hoyos também terá de enfrentar a queda no desempenho de estudantes colombianos em testes nacionais. Os resultados apontaram retrocesso em leitura e matemática e apenas uma leve melhora em ciências.
Outro desafio será recuperar a infraestrutura afetada pelo terremoto de 10 de agosto. O tremor atingiu mais de 3.500 centros educacionais e deixou quase 400.000 estudantes sem salas de aula.
A nomeação recebeu críticas de grupos feministas e de esquerda, entre eles o ex-presidente Gustavo Petro. A reação está relacionada ao trabalho anterior de Hoyos com Alejandro Ordóñez, ex-procurador-geral e atual embaixador da Colômbia na Organização dos Estados Americanos (OEA), além de opositor do aborto.
Trajetória
Nascida em Bogotá em 19 de outubro de 1959, Hoyos é advogada e tem doutorado em direito. Foi diretora da faculdade de direito e do Instituto de Humanidades da Universidade de La Sabana, além de ter lecionado em instituições de ensino superior na Colômbia e no exterior.
Entre 2009 e 2016, atuou como procuradora-geral delegada para a defesa dos direitos de crianças, adolescentes e da família. Também foi assessora do Pontifício Conselho para a Família e participou, como especialista leiga, da conferência geral dos bispos da América Latina e do Caribe realizada em 2007, em Aparecida, Brasil. Em 2014, foi auditora do primeiro Sínodo sobre a Família convocado pelo papa Francisco.
Na Conferência Episcopal, presidiu por sete anos o Conselho Nacional para a Cultura do Cuidado. Nesse período, participou de estratégias de prevenção e resposta ao abuso e à violência, além do treinamento de equipes diocesanas e comunidades religiosas.
Hoyos publicou livros sobre liberdade religiosa, educação universitária, dignidade, direitos humanos e a dimensão jurídica da pessoa humana. Durante o debate sobre uniões entre pessoas do mesmo sexo, afirmou que o casamento e a família são pilares do sistema jurídico. Ela também se opôs à descriminalização do aborto e defendeu a liberdade de consciência, reconhecida no artigo 18 da Constituição.








