METZ — O Papa Leão XIV pediu que a Europa retome suas raízes, incluindo a herança cristã, e acolha pessoas de outras culturas que vivem no continente. Em discurso a líderes europeus, ele defendeu que os migrantes possam entrar de forma segura e legal e sejam integrados às comunidades.
“Devemos compreender o significado histórico do que está acontecendo”, afirmou Leão, ao descrever a presença de imigrantes como um encontro entre povos e culturas que exige uma nova compreensão das raízes europeias. O papa também disse que valores como direitos humanos, liberdade, democracia, igualdade e Estado de direito podem sustentar o diálogo e o trabalho pela paz.
O discurso foi feito em 28 de setembro, no Centro de Conferências Robert Schuman, em Metz, durante o último dia da visita do pontífice à França, realizada entre 25 e 28 de setembro. O evento teve como tema “Às Raízes da Europa pela Paz e Unidade”. Metz fica a 43 quilômetros do triponto de Schengen, onde se encontram as fronteiras de Luxemburgo, França e Alemanha.
Referência a Robert Schuman
Leão citou Robert Schuman, um dos fundadores da União Europeia, que viveu em Metz e está enterrado nas proximidades. Segundo o papa, a experiência de Schuman em um período de mudanças de fronteiras contribuiu para a construção de uma Europa interessada em superar divisões e promover a reconciliação entre os países.
Schuman foi declarado “venerável” pelo Papa Francisco em 2021. Leão associou a formação cristã do estadista à defesa da igualdade, da dignidade do trabalho, do direito internacional, da paz e da fraternidade entre povos que haviam vivido longos períodos de conflito.
Entre os participantes do encontro estavam dirigentes das conferências episcopais da Europa, representantes de mosteiros, o presidente francês Emmanuel Macron, o príncipe Alberto II e a princesa Charlène de Mônaco, além de autoridades de Luxemburgo e da Alemanha. O auditório tinha 1.200 lugares.
Em uma mensagem aos jovens europeus, o papa pediu responsabilidade na promoção da paz e rejeição à violência e à opressão. Também os encorajou a defender a dignidade de cada pessoa, formar famílias e não temer o futuro.
Mais cedo, Leão se reuniu com o rabino-chefe da França e representantes de muçulmanos, budistas, protestantes e cristãos ortodoxos. Os líderes religiosos presentes assinaram uma declaração inter-religiosa após uma apresentação musical.
Na mensagem ao grupo, o pontífice afirmou que a grandeza de uma religião e de uma civilização deve ser medida pela forma como protegem e cuidam das pessoas, especialmente as mais vulneráveis. Ele também disse que as tradições religiosas devem servir à paz, à fraternidade e à dignidade humana.







