VATICANO — O Papa Leão XIV afirmou que a principal tarefa dos bispos é permanecer com Jesus antes de assumir qualquer outra responsabilidade. Durante encontro com novos bispos, ele ressaltou que a liderança da Igreja deve partir da condição de discípulo e da disposição de deixar-se conduzir diariamente por Cristo.
Na quinta-feira, 10 de setembro, o pontífice recebeu no Vaticano 147 bispos de cinco continentes. Eles participaram de cursos de formação em Roma voltados ao fortalecimento da comunhão eclesial e à preparação para o exercício do ministério. Os participantes vieram de países da África, Ásia, Oceania e América Latina.
“Somos bispos, mas antes de tudo somos discípulos”, disse Leão XIV. O papa também afirmou que os bispos não caminham sozinhos e que a convivência durante o curso permitiu compartilhar orações, celebrações, esperanças e preocupações relacionadas às Igrejas confiadas a eles.
Proximidade com as comunidades
Leão XIV pediu que os bispos desenvolvam o coração de Jesus, descrito por ele como totalmente voltado ao Pai e entregue aos irmãos e irmãs. Para o papa, isso exige conhecer as alegrias, as dificuldades e os sonhos das comunidades.
Ele recomendou que os bispos aprendam os nomes das pessoas de suas dioceses, ouçam suas histórias, visitem suas casas quando possível e rezem com elas. Também destacou o impacto de gestos simples, como uma bênção, uma visita, o tempo dedicado a um padre ou a escuta de uma família.
O pontífice pediu atenção especial aos padres, sobretudo aos idosos e doentes. Segundo ele, cada sacerdote deve encontrar no bispo uma figura de pai e irmão, capaz de ouvir, incentivar, rezar e acompanhar seu ministério. Uma ligação telefônica, uma visita ou uma palavra de afeto, afirmou, pode ser suficiente para demonstrar reconhecimento e cuidado.
Leão XIV também apresentou o episcopado como um serviço de amor. A pregação, a escuta, a oração, o discernimento e a presença junto às pessoas foram descritos como expressões da caridade pastoral.
Igreja diante das novas tecnologias
Ao abordar o cenário atual, o papa mencionou as mudanças rápidas provocadas pelas tecnologias de comunicação e pela inteligência artificial. Ele afirmou que esses avanços ampliam possibilidades, mas não livram a humanidade do pecado e de suas consequências.
Leão XIV recordou a celebração do Jubileu da Esperança no ano passado e disse que a Igreja não está separada do mundo. Para ele, a comunidade cristã é enviada a anunciar o Evangelho da salvação, e os bispos estão entre os primeiros destinatários dessa missão.
O papa também citou sua encíclica Magnifica Humanitas, apresentada como uma proposta para enfrentar o desafio de preservar o que é humano na era da inteligência artificial.
Ao final, defendeu uma atuação missionária aberta a todos: pessoas que frequentam as paróquias, cristãos de outras denominações, fiéis de outras religiões, pessoas sem religião e homens e mulheres de boa vontade. “Ele ouve e respeita a todos; aproxima-se de todos e sabe reconhecer o bem que está presente em cada coração humano”, afirmou.







