O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um artigo com António Costa, William Ruto e Mark Carney para anunciar a criação do Parceiros para o Multilateralismo (P4M), uma iniciativa voltada à cooperação entre países e à reforma de instituições internacionais.
Costa é presidente do Conselho Europeu; Ruto, presidente do Quênia; e Carney, primeiro-ministro do Canadá. No artigo, os quatro líderes afirmam que a P4M não pretende formar um bloco exclusivo nem criar uma nova estrutura burocrática. A proposta é reunir países de diferentes regiões e tradições políticas dispostos a atuar além das divisões e transformar princípios compartilhados em ações práticas.
A iniciativa busca recuperar os ideais do multilateralismo em um cenário descrito pelos líderes como mais interdependente e, ao mesmo tempo, fragmentado e polarizado. A reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas aparece como uma das prioridades do grupo.
Reforma das instituições
Segundo o artigo, a P4M apoiará mudanças na ONU e em outras instituições multilaterais para torná-las mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis. O grupo também pretende fortalecer a cooperação entre organizações regionais, contribuir para a paz e a segurança e aprimorar a governança econômica global.
Entre os temas citados estão inteligência artificial, mudanças climáticas, segurança sanitária e transformação digital. Os líderes afirmam que a iniciativa pretende renovar e fortalecer o sistema multilateral, sem substituí-lo.
O anúncio ocorre a poucos dias da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, realizada nesta semana em Nova York, nos Estados Unidos. O encontro reúne representantes das 193 nações que integram a ONU, com destaque previsto para os conflitos em curso no mundo.
No artigo, os autores dizem que, em 2025, foram registrados 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o maior número desde 1946. Também afirmam que as despesas militares globais chegaram ao recorde de 2,9 bilhões de dólares. O texto critica o aumento dos gastos militares, que teria ultrapassado US$ 2,9 bilhões em 2025.
A P4M é apresentada como uma nova articulação para promover a cooperação entre países e apoiar uma reforma global com resultados concretos dentro da ONU.








