A possibilidade de uma reunião entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva durante a 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, continua incerta. A Casa Branca informou que a agenda de reuniões do presidente norte-americano ainda não foi confirmada, enquanto o Ministério das Relações Exteriores afirmou não haver expectativa de um encontro formal entre os dois presidentes.
O secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, disse que Lula e Trump podem se encontrar brevemente nos bastidores do evento, como ocorreu no último ano. Em 2025, os dois conversaram por alguns minutos entre os discursos dos presidentes brasileiro e norte-americano.
A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo da ONU e reúne os 193 países membros, com direito a um voto cada. A Semana de Alto Nível ocorre anualmente em Nova York, entre setembro e dezembro, com a presença de chefes de Estado e de governo. Neste ano, o tema é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Relação entre Brasil e Estados Unidos
Uma eventual conversa entre Lula e Trump poderia tratar de temas que tensionaram as relações entre os dois países nos últimos meses. Entre as medidas adotadas pelo governo norte-americano estão a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, e a retomada de tarifas sobre exportações brasileiras. As alíquotas chegam a 37,5%.
Também há divergências sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Autoridades brasileiras avaliam que a medida poderia abrir brechas para possíveis ações dos Estados Unidos contra o Brasil sob a justificativa de combate ao terrorismo.
Na terça-feira (16/9), Trump enviou ao Congresso dos EUA um documento que menciona os dois grupos. No relatório, o presidente acusou o governo brasileiro de falhar no combate ao PCC e ao CV e afirmou que o Brasil se tornou um “centro de distribuição global de cocaína”.
Agenda de Lula
Lula embarca para Nova York no domingo (20/9). A participação do presidente deve ser menor do que em edições anteriores por causa da campanha eleitoral deste ano. A única janela prevista para reuniões com chefes de Estado e autoridades é a segunda-feira (21/9). Até o momento, está agendado um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, convidou Lula para uma reunião bilateral, mas o governo brasileiro ainda analisa o pedido. Lula fará o discurso de abertura na manhã de terça-feira (22/9) e depois retornará ao Brasil.
O presidente deve abordar a não interferência de países em assuntos internos, a defesa do multilateralismo, negociações de paz, direito internacional humanitário e a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Também deve cobrar paz dos cinco membros permanentes do órgão: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
Durante o restante da Semana de Alto Nível, o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Os ministros da Gestão e Inovação, dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial também participarão de atividades.








