NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21) que Donald Trump continua governando como um “imperador” e voltou a criticar as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, Lula também condenou a operação americana que capturou Nicolás Maduro na Venezuela.
“Ele age como imperador. É uma forma de governar com a qual eu não concordo”, disse Lula. Para o presidente, Trump adota uma lógica baseada na força econômica e militar dos Estados Unidos. “É a lei do mais forte. Eu não concordo com isso”, afirmou.
Tarifas e negociação
Lula declarou que as sobretaxas americanas foram justificadas por informações falsas. Em julho deste ano, os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Dias depois, entrou em vigor uma sobretaxa adicional de 12,5%. A tarifa média sobre produtos brasileiros subiu para 17,7%, enquanto algumas exportações passaram a enfrentar cobranças acumuladas de até 37,5%.
O presidente afirmou que as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 9%, e que as importações de produtos americanos recuaram 8,5%. Segundo Lula, o comércio brasileiro cresceu, em média, 10,5% com outros 57 países. Ele citou aumentos de 20% nas trocas com a China, 18% com o Japão, 16% com a Alemanha, 8% com a Indonésia, 14% com o Vietnã e 23% com a União Europeia.
Lula disse que aguardará as negociações entre Brasília e Washington antes de aplicar a Lei da Reciprocidade. Os presidentes conversaram em agosto sobre as tarifas e concordaram com novas tratativas entre representantes dos dois governos. “Enquanto estivermos na mesa de negociação, não tenho que aplicar a lei da reciprocidade. Tenho que ter mais paciência”, afirmou.
O presidente acrescentou que a medida poderá ser adotada se não houver acordo: “se não houver acordo, vamos ter que aplicar a lei da reciprocidade”.
Venezuela e multilateralismo
Lula criticou a operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. Os dois foram transferidos para os Estados Unidos, onde estão presos e aguardam julgamento.
Segundo Lula, os acordos firmados após a queda de Maduro dão a impressão de que Washington assumiu uma posição de comando sobre Caracas. Ele afirmou que a soberania venezuelana “acabou” e avaliou que a atuação americana não é positiva para a democracia. Lula também defendeu que Delcy Rodríguez convoque eleições nacionais para que os venezuelanos escolham o próximo presidente.
Na entrevista, o presidente ainda disse que o mundo enfrenta uma “guerra econômica” e acusou Trump de preferir relações unilaterais. Lula defendeu a iniciativa Partners for Multilateralism (P4M), apresentada neste fim de semana com António Costa, William Ruto e Mark Carney. A proposta busca aproximar países e defender o multilateralismo, sem criar um novo bloco internacional.
Lula participa da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York. Nesta terça-feira (22), será o primeiro chefe de Estado a discursar na Assembleia, seguido por Donald Trump.








