A Polícia Federal encontrou no celular de Willer Tomaz uma fotografia de março de 2025 em que Flávio Bolsonaro aparece ao lado de Weverton Rocha e do advogado, investigados por fraudes no INSS. O registro foi localizado após a apreensão do aparelho em agosto, durante a operação Sem Desconto, e veio a público nesta 6ª feira (19.set.2026).
A imagem foi enviada em 10 de março de 2025 a um grupo de WhatsApp chamado “África do Sul”, formado por Flávio, Willer, Weverton e suas respectivas mulheres. Na foto, os três aparecem com crianças em uma área de savana. Flávio também estava acompanhado de familiares. As camisetas usadas pelo grupo exibem animais africanos e a inscrição “Big Five”.
Viagens e vínculos
A PF identificou registros de viagens, fotografias, reservas, voos e aluguéis de veículos ao analisar o celular e a caixa de e-mails de Willer. Os materiais foram apreendidos durante buscas no escritório do advogado, em Brasília.
Em abril de 2025, Flávio e Willer viajaram juntos para Portugal e retornaram no mesmo voo. Weverton não participou dessa viagem. Em maio, os dois voltaram à Europa com as famílias, passando por Portugal e França. E-mails indicam a contratação de dois veículos, um para Lisboa e outro para Nice.
Em janeiro de 2025, antes da posse de Donald Trump nos Estados Unidos, Flávio, a mulher e as filhas viajaram de Fort Lauderdale, na Flórida, com Willer e familiares dele. O deslocamento ocorreu em um jatinho da Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, entre os sócios. Vorcaro permaneceu como sócio direto até setembro de 2025.
Flávio e Willer também passaram parte do fim de semana anterior à posse de Trump no Hard Rock Hotel & Casino, na região de Miami. Em maio, retornaram à Flórida em um jatinho emprestado por um empresário para quem Willer advogava. A viagem ocorreu no feriado do Dia do Trabalho e contou com Fernanda Bolsonaro.
Apuração sobre Weverton
Segundo a PF, uma estrutura ligada a Willer funcionava como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” em benefício de Weverton, um dos vice-líderes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Senado. A corporação aponta que o advogado oferecia suporte por meio de empresas, imóveis, aeronaves, pilotos e operadores financeiros.
Um dos pontos da investigação é a compra de uma casa no Lago Sul, em Brasília, por R$ 6 milhões. Conforme a PF, Weverton participou das tratativas e mora no imóvel, registrado em nome da WT Administração de Imóveis e Bens S/A, ligada a Willer. A corporação afirma existir diferença entre a titularidade formal e o domínio econômico do bem.
Na fotografia também aparece Carlos Alberto de Sá, conhecido como Carlinhos. O empresário foi incluído no relatório final da CPI da Covid, aprovado em 2021, que recomendou seu indiciamento por corrupção ativa e improbidade administrativa. Na época, ele era sócio da VTCLog.
Durante a CPI da Covid, em 2021, Flávio chamou Willer de “meu amigo”. O advogado afirmou então que nunca negou a amizade com o senador nem com outros senadores da oposição ou da base governista.
A assessoria de Flávio disse que a amizade entre as famílias é legítima e continua: “Qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”. Weverton não respondeu ao contato. Não foi localizado telefone ou e-mail válido da equipe de Willer Tomaz.








