ROMA — O Papa Leão XIV alertou nesta quinta-feira (8) contra a redução da atividade intelectual ao processamento de dados e pediu que as universidades preservem a dimensão humana do ensino. O pontífice presidiu a missa de abertura do ano acadêmico das universidades pontifícias, na Basílica de São Pedro, diante de estudantes e professores.
Leão XIV afirmou que a mente não deve operar apenas como um algoritmo, acumulando e processando informações com rapidez. Para ele, a compreensão profunda depende de experiências e significados que a alma humana é capaz de reconhecer. O uso inadequado da tecnologia, disse o papa, pode enfraquecer a liberdade interior e a sensibilidade para identificar a bondade presente nas experiências acadêmicas e espirituais.
Ao citar sua primeira encíclica, Magnifica Humanitas, o pontífice defendeu uma rotina de estudos baseada no silêncio, no aprofundamento, na leitura atenta e na análise criteriosa. A fragmentação do conhecimento e as novas tecnologias, segundo ele, exigem ritmos específicos de trabalho. Sem esses elementos, a integridade da razão pode ser comprometida.
Conhecimento e vida social
O papa também pediu que a comunidade acadêmica evite se fechar em “torres de marfim”. Ele defendeu que a vida seja levada aos estudos e que os estudos sejam aplicados à vida, com atenção às necessidades da população e aos pobres.
Para Leão XIV, o conhecimento deve seguir a lógica da Encarnação e permanecer ligado à realidade social. Os estudantes, afirmou, precisam usar seus privilégios educacionais para servir à Igreja e à verdade, mantendo abertura para as perguntas da sociedade.
O pontífice também relacionou a formação acadêmica à caridade e pediu que o estudo mantenha conexão direta com as necessidades do povo. O discurso não apresentou uma resposta específica sobre o papel das amizades internacionais nas universidades pontifícias.








