MAR DA GALILEIA — O recuo das águas revelou parte de um antigo píer romano que pode ter conectado Cafarnaum ao lago há cerca de dois mil anos. A estrutura ficou exposta em novembro de 2025, quando o nível do Mar da Galileia caiu de forma significativa.
O píer é formado por grandes pedras organizadas em duas fileiras paralelas, separadas por cerca de 3 a 4 metros. Entre elas, há um espaço que poderia ter sido usado para a aproximação e a atracação de embarcações. O conjunto também inclui uma estrutura piramidal que pode ter funcionado como marcador para orientar barcos.
Imagens do local voltaram a circular nas redes sociais depois que a construção reapareceu. Durante séculos, parte da estrutura permaneceu submersa.
Porto e atividade em Cafarnaum
Cafarnaum ficava na margem norte do Mar da Galileia e era uma comunidade ligada à pesca. Durante o período romano, ganhou importância regional e passou a ser associada ao ministério de Jesus depois que ele deixou Nazaré.
Os Evangelhos relatam que Jesus esteve diversas vezes na cidade e usou embarcações para atravessar o lago. Não há evidência, porém, de que ele tenha utilizado especificamente o píer agora revelado.
A configuração do local indica a existência de uma infraestrutura voltada à movimentação de embarcações, pessoas e possivelmente mercadorias. Portos romanos desse tipo podiam ter áreas destinadas ao embarque, ao desembarque e à circulação de produtos.
A descoberta ajuda a reconstruir as condições materiais da região no período descrito pelos textos do Novo Testamento. O Mar da Galileia era uma via de circulação e uma fonte de sustento para comunidades de suas margens, especialmente as ligadas à pesca.
Vestígios arqueológicos
Cafarnaum ocupa posição central nos relatos sobre Jesus e é associada a episódios como a cura do servo de um centurião, da sogra de Pedro e de um paralítico. A cidade também aparece na narrativa sobre a ressurreição da filha de Jairo e em passagens relacionadas à pesca e aos discípulos.
Escavações na antiga Cafarnaum encontraram habitações, estruturas públicas e elementos da vida cotidiana. Entre os vestígios estão uma antiga sinagoga, casas construídas com basalto e objetos relacionados aos hábitos dos moradores.
As evidências indicam uma população majoritariamente judaica sob domínio romano, inserida em uma área de circulação intensa. Ao lado das casas, dos espaços religiosos e dos objetos encontrados, o antigo píer acrescenta à paisagem de Cafarnaum a dimensão de uma cidade diretamente ligada ao lago e às rotas da Galileia romana.








