A União Europeia desembolsou cerca de 7,88 bilhões de euros, equivalentes a aproximadamente R$ 44 bilhões, para comprar gás natural russo entre janeiro e setembro deste ano. No período, as importações de gás natural liquefeito (GNL) do projeto Yamal LNG aumentaram em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Os dados foram divulgados pela organização alemã Urgewald, com base em informações da empresa de monitoramento marítimo Kpler. Cerca de 12,18 milhões de toneladas do combustível chegaram aos portos europeus, o maior volume registrado para os primeiros nove meses de um ano. O resultado representa alta de 9,5% sobre 2025.
Ao todo, 167 carregamentos de gás russo desembarcaram na União Europeia. Em média, uma embarcação vinda de Yamal chegou ao bloco a cada 1,6 dia. A Europa recebeu 85% de todo o gás exportado pelo projeto no período, enquanto as entregas globais de Yamal recuaram 1,3%.
A França esteve entre os principais destinos. Apenas em setembro, recebeu quase três quartos do gás russo de Yamal entregue à União Europeia, principalmente nos portos de Dunkirk e Montoir. No mês, os europeus receberam 792,4 mil toneladas, volume ligeiramente superior ao de setembro de 2025. A Urgewald estima que essas compras tenham movimentado cerca de 818 milhões de euros.
Restrições e planos da União Europeia
Em abril deste ano, entrou em vigor a proibição de importações de gás russo por determinados contratos de curto prazo. A medida não interrompeu os fornecimentos previstos em acordos antigos e de longa duração.
A União Europeia aprovou em janeiro deste ano um regulamento para encerrar gradualmente as compras de gás russo. A proibição total das importações de GNL está prevista para 1º de janeiro de 2027. As compras por gasodutos poderão continuar até o segundo semestre do próximo ano, conforme as condições da legislação.
Sebastian Rötters, responsável pela campanha de sanções contra a Rússia na Urgewald, disse que as restrições tiveram pouco efeito sobre o comércio. “A proibição dos contratos de curto prazo pouco fez para interromper o comércio”, afirmou.
A organização pediu que Bruxelas amplie as sanções contra os navios usados no transporte do combustível do Ártico. Segundo a Urgewald, essas embarcações são necessárias para manter as exportações de Yamal durante o ano.
No mesmo dia, Donald Trump anunciou um acordo com Vladimir Putin para ampliar o fornecimento de diesel russo aos mercados americano e internacional. Moscou disponibilizaria inicialmente mais de 300 mil toneladas, outras 500 mil em novembro e mais 1 milhão depois. A Rússia também poderia fornecer outras 3 milhões de toneladas, conforme as condições de suas refinarias.








