CIUDAD JUÁREZ — A Torre Centinela foi projetada para reunir equipes de segurança e informações de inteligência no estado mexicano de Chihuahua, mas sua operação se tornou parte da disputa sobre a presença dos Estados Unidos no combate aos cartéis de drogas.
O 18º andar deverá receber um centro de integração de dados, com uma sala de situação para representantes de governos estrangeiros trabalharem ao lado da polícia estadual. Autoridades de segurança já começaram a atuar no edifício, enquanto a governadora de Chihuahua, Maru Campos, defendia o compartilhamento de informações em tempo real com órgãos americanos.
Cooperação sob disputa
Chihuahua é governado pelo oposicionista Partido Ação Nacional (PAN) e abriga rotas usadas por redes do Cartel de Sinaloa e outros grupos para levar drogas aos Estados Unidos. O chefe da segurança estadual, Gilberto Loya, apoia uma colaboração mais estreita com Washington. “Não os vemos como imperialistas, mas como parceiros comerciais”, disse.
A presidente Claudia Sheinbaum, porém, afirma que a cooperação não pode permitir operações estrangeiras em território mexicano. Em maio, declarou: “Nenhum governo estrangeiro pode fazer coisas no México à margem da lei.” Ela também acusou o governo de Chihuahua de colocar a segurança nacional em risco ao permitir a participação de agentes americanos, supostamente da CIA, em uma operação sem autorização federal.
A controvérsia aumentou depois de um acidente de carro que matou dois agentes americanos infiltrados e dois agentes mexicanos durante o retorno de uma operação contra um laboratório de drogas nas montanhas de Chihuahua. O laboratório continha mais de 50 toneladas de produtos químicos, muitas vezes enviados da China e da Índia pelos portos mexicanos.
Pressão política
O governo de Donald Trump adotou um tom mais confrontador ao acusar políticos mexicanos de colaborar com narcotraficantes. Em abril, os Estados Unidos indiciaram o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, do partido Morena, por narcotráfico. Ele nega as acusações, e Sheinbaum recusou-se a extraditá-lo.
A presidente também reagiu ao cancelamento do visto de um dos filhos de Andrés Manuel López Obrador. Aliados de Sheinbaum disseram que as medidas tinham motivação política, enquanto autoridades americanas afirmaram que o visto é um privilégio e que as decisões consideram a segurança nacional.
A oposição passou a chamar o Morena de “narcopartido” e acusou Sheinbaum de proteger integrantes com supostos vínculos com o crime organizado. O governo mexicano nega proteção ou conluio com cartéis. Ao mesmo tempo, um número não divulgado de políticos perdeu vistos americanos, provocando preocupação entre integrantes do Morena.
Loya defende que representantes de El Salvador e Colômbia também trabalhem na Torre Centinela, mas qualquer presença estrangeira precisa de aprovação federal. Para ele, o México não consegue enfrentar sozinho o negócio internacional das drogas: “Estamos lutando contra o mesmo inimigo.”








