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Por que o horror sangrento provoca risos e desconforto no cinema

Filmes que exageram a violência usam o absurdo para provocar reações variadas, da gargalhada involuntária ao choque.

Por que o horror sangrento provoca risos e desconforto no cinema
Foto: Divulgação

O exagero visual de filmes de horror pode provocar risadas, mesmo quando apresenta corpos destruídos, órgãos expostos e assassinatos. Para o cineasta Steven Kostanski, o riso diante de cenas grotescas funciona como uma defesa contra o choque. Ele afirma: “Só estou rindo da insanidade das cenas”.

Em “O Sorveteiro”, pessoas entram em transe psicótico após consumir os produtos do personagem-título e cometem assassinatos em massa. O filme é dirigido por Eli Roth, que atribui o uso de inteligência artificial à tentativa de contornar o baixo orçamento, depois de estúdios renomados recusarem o projeto. A produção foi lançada em agosto nos Estados Unidos.

Entre o absurdo e a crítica

A mistura de horror e humor também aparece em “Feriado Sangrento”, de Roth. O filme transforma uma Black Friday em massacre e ironiza o consumismo. Em “A Substância”, de 2024, as transformações corporais provocaram gargalhadas e a obra chegou ao Oscar ao abordar o etarismo e as pressões estéticas.

A sequência em que a bruxa Gladys é perseguida por crianças, no filme “A Hora do Mal”, viralizou e inspirou a esquete de abertura do último Oscar. Outros longas apostam em animais mortais, com ataques de macacos, aranhas e um bicho-preguiça. Esse tipo de produção é diferente do “terrir”, subgênero que parodia códigos do terror e costuma ser mais ameno.

O pesquisador Carlos Primati cita Ivan Cardoso e a ironia com clichês de monstros. Ele diferencia esse caminho dos filmes de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, voltados a dilemas existenciais em um Brasil ditatorial, embora os visuais amadores e os exageros também possam provocar risos.

Uma tradição do cinema

A relação entre violência e humor atravessa décadas. O Grand Guignol, teatro francês de histórias violentas, perdeu impacto durante a Segunda Guerra, quando o horror cotidiano superou o efeito das encenações. O espaço foi ocupado pelo cinema, com obras como “Os Olhos Sem Rosto” e “Banquete de Sangue”.

Diretores como Roger Corman, Dario Argento, Tobe Hooper, Sam Raimi e Peter Jackson ampliaram o uso de mortes surreais e imagens estilizadas. Para Paulo Biscaia, o terror pode tratar a violência de forma caricata ou dramática, estabelecendo com o público um pacto de que a história ocorre em um mundo lúdico.

Marcelo Miranda afirma que o gênero atrai pessoas por temas como luto, vingança e repressão, mas ressalta que uma obra não deve ser definida apenas pelas sensações que provoca. Para ele, a violência é aceitável na ficção porque não envolve pessoas realmente destruídas, e cada criador deve assumir os limites e as possíveis repercussões de suas escolhas.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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