O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (6) que não está claro quem governa o Irã após as perdas na cúpula política e militar durante a guerra contra os EUA e Israel. Para ele, a indefinição sobre quem pode tomar decisões em Teerã dificulta as negociações com Washington.
“Os líderes deles se foram, o segundo grupo de líderes se foi, e o maior problema que tenho é que ninguém sabe quem diabos está comandando o país”, disse Trump durante um evento em Maryland.
A guerra começou em 28 de fevereiro e alterou a liderança iraniana. O então líder supremo, Ali Khamenei, morreu no primeiro dia do conflito. Seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu o posto, mas ficou ferido no mesmo ataque e não foi visto publicamente desde então.
As perdas alcançaram diferentes níveis da estrutura política e militar do Irã. Em maio, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que as duas primeiras camadas da liderança haviam sido eliminadas e que Washington já tratava com um terceiro grupo de dirigentes.
A dúvida sobre a autoridade dos representantes iranianos também afetou as conversas por um acordo. Integrantes do governo Trump questionaram se os negociadores tinham poder para concluir um entendimento e passaram a procurar um canal separado com membros da Guarda Revolucionária.
Em entrevista divulgada nesta terça-feira (6), o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, confirmou que autoridades americanas mantêm contato com integrantes do regime, mas afirmou que ainda há dúvidas sobre quem toma as decisões principais em Teerã.
O governo iraniano rejeita essa avaliação. No domingo (4), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, disse que os Estados Unidos conhecem o sistema de decisões do país e sabem com quem negociar. “O problema é, na verdade, o oposto: está nas posições contraditórias e nas mensagens conflitantes das autoridades americanas”, afirmou.
Autoridades iranianas continuam participando de negociações e de compromissos internacionais. Masoud Pezeshkian discursou na Assembleia Geral da ONU em setembro, e Abbas Araghchi manteve contatos com o enviado americano Steve Witkoff.








