O senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 8.set.2026, uma ação que questiona o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval deste ano. A representação pede a cassação do registro da chapa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB), além da inelegibilidade dos dois.
Também são citados no processo a primeira-dama Janja, o ex-presidente da Embratur Marcelo Freixo e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT). O desfile ocorreu em 15 de fevereiro e teve Lula como tema de um enredo sobre sua trajetória.
A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representa Flávio, classificou o episódio como “o maior caso de uso da máquina pública em favor de uma candidatura presidencial já visto na história democrática do Brasil”.
Alegações sobre recursos públicos
A ação afirma que pelo menos R$ 9,65 milhões foram empregados no desfile com recursos da Prefeitura de Niterói, do governo do Rio de Janeiro e da Embratur. O documento atribui R$ 1 milhão à Embratur e diz que a prefeitura elevou de R$ 2 milhões para R$ 4 milhões o repasse à escola.
Segundo a representação, Janja obteve ainda R$ 2,5 milhões com 3 empresários para contribuir com o financiamento do desfile. A campanha de Flávio sustenta que houve combinação de dinheiro público, utilização da estrutura governamental e exposição televisiva favorável a Lula.
Pedidos de investigação
O processo está sob responsabilidade do ministro Antonio Carlos Ferreira, corregedor-geral eleitoral, e pode tramitar junto com uma ação anterior do Partido Novo sobre o mesmo desfile.
A representação solicita documentos e informações às prefeituras de Niterói e do Rio, ao governo estadual, à Embratur, à Presidência, à Liesa e à TV Globo. Também pede os depoimentos de Wallace Palhares, presidente da escola, e do carnavalesco Tiago Martins, além de Janja, Freixo e Rodrigo Neves.
O documento menciona encontros de dirigentes da escola no Planalto e no Alvorada ao longo de 2025. Também cita uma viagem de Janja ao Rio em avião da FAB para visitar o barracão e afirma que Lula e a primeira-dama participaram da escolha de artistas, entre eles Paulo Vieira.
A campanha de Flávio ainda aponta a repetição do jingle “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, referências ao número 13 e uma ala com a estrela vermelha, símbolo do PT, como elementos que teriam transformado a homenagem em propaganda de campanha.








