Steven Levitsky afirmou que a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) pode provocar uma reação política com impeachment de ministros e mudanças nas regras da Corte. Para ele, também existe a possibilidade de o episódio terminar sem reformas relevantes.
O cientista político, professor da Universidade Harvard, disse que o STF acumulou poder gradualmente desde 1988 e se tornou ainda mais influente durante o conflito com Jair Bolsonaro. Na avaliação dele, a Corte foi eficiente ao condenar Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado em 2025, mas isso não elimina a necessidade de limites e mecanismos de responsabilização.
“É necessário que sempre existam limites para todos os Poderes”, afirmou Levitsky. Ele declarou que há evidências de corrupção e abuso de poder na Suprema Corte brasileira, embora também considere que o tribunal tenha atuado em defesa da democracia.
Possíveis desdobramentos
Levitsky disse que a reação à crise pode partir principalmente da direita e resultar no impeachment de alguns integrantes do STF. Ele ponderou, porém, que o sistema político brasileiro costuma depender de negociação e acomodação entre diferentes grupos.
O cientista político citou a Lava Jato como exemplo de uma crise que responsabilizou políticos e empresários, mas não produziu uma grande reforma do sistema. Por isso, afirmou que não se surpreenderia se o episódio atual terminasse sem muitas mudanças.
Para ele, qualquer presidente eleito terá de negociar com o Congresso e com a Suprema Corte. Levitsky avaliou que Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro enfrentariam dificuldades para governar caso fossem eleitos para o mandato que começa em 2027.
Sobre Lula, disse que o presidente está velho e criticou o desempenho do governo atual. Também afirmou que o PT fracassou ao não apresentar um sucessor capaz de renovar a centro-esquerda.
A respeito de Flávio Bolsonaro, Levitsky citou a falta de experiência e afirmou que ele poderia formar um governo com ministros ideológicos e ineptos. O cientista político também demonstrou dúvida sobre a capacidade de Flávio resistir a eventuais exigências do governo de Donald Trump e evitar uma subordinação aos interesses dos Estados Unidos.








