Um estudo com cerca de 1.700 espécies de borboletas em 105 países identificou a migração desses animais para regiões de clima mais ameno. O deslocamento é associado ao aumento das temperaturas e é apresentado como um sinal das mudanças provocadas pelo aquecimento global nos ecossistemas.
A pesquisa reuniu dados de 500 estudos para analisar o comportamento das espécies em diferentes partes do mundo. José Eli da Veiga, professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, afirmou que o levantamento é o maior já realizado sobre borboletas. O estudo foi publicado em uma das revistas do sistema Nature.
Para o professor, as borboletas estão se afastando de áreas mais quentes e buscando ambientes menos hostis, sobretudo em relação à temperatura. “Estão migrando para ambientes menos hostis”, disse José Eli da Veiga.
Reflexos para a vida humana
O pesquisador avalia que o movimento deve ser observado como uma indicação do que pode ocorrer com outras formas de vida. Ele também afirmou que as mudanças climáticas já influenciam a humanidade e podem alterar as áreas do planeta onde as pessoas conseguem viver.
Segundo José Eli da Veiga, ainda é difícil determinar quando e onde regiões atualmente habitadas deixarão de ser adequadas à presença humana. A avaliação considera os efeitos já associados ao aquecimento da Terra.
O professor citou as canículas e os incêndios registrados durante o verão europeu deste ano. De acordo com ele, a intensidade desses fenômenos levou a discussões sobre a localização de residências usadas nas férias, conhecidas como segunda residência.
Essas mudanças já afetam o mercado imobiliário em algumas regiões, principalmente nos países onde as ondas de calor e os incêndios foram mais graves. O deslocamento das borboletas, nesse contexto, é tratado como um exemplo de transformações que podem alcançar diferentes formas de vida e várias partes do planeta.








