Um dispositivo de borracha libera aromas sintéticos por até 25 dias e pode ajudar morcegos frugívoros a dispersar sementes em áreas degradadas. A técnica foi desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Florestas, do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
Os cientistas constataram que compostos aromáticos produzidos artificialmente, ou frações de óleos naturais, atraem morcegos de forma semelhante aos óleos essenciais de frutos. A alternativa pode reduzir custos, simplificar a aplicação e diminuir a coleta de frutos silvestres usados na extração de óleos.
A pesquisa é apresentada na publicação Tecnologia de restauração florestal baseada na atração de morcegos dispersores de sementes. O conteúdo é destinado a pesquisadores, técnicos ambientais, gestores públicos, proprietários rurais e ONGs envolvidas em projetos de restauração ecológica.
Como funciona
A técnica é estudada desde 2003. Os morcegos são atraídos pelo odor enquanto sobrevoam áreas abertas. Ao permanecerem no local, podem defecar e deixar sementes diretamente no solo degradado, promovendo uma dispersão natural.
Os estudos identificaram forte atração dos gêneros Artibeus, Carollia e Sturnira por óleos essenciais de plantas dos gêneros Ficus, Piper e Solanum. Nos últimos 6 anos, os pesquisadores avaliaram partes desses óleos e substâncias equivalentes disponíveis no mercado.
O aroma é colocado em um septo de borracha de látex, semelhante à tampa de um frasco de medicamento. O material absorve a substância e a libera gradualmente. Em testes em cativeiro, o dispositivo manteve o aroma por 20 a 25 dias. Os septos são pendurados em árvores.
A pesquisadora Lays Cherobim afirmou que a solução evita a coleta intensiva de frutos. “Muitas vezes, 500 gramas de frutos rendem apenas algumas gotas de óleo natural”, disse.
Aplicação e próximos estudos
A proposta pode complementar o plantio de mudas e aproveitar a atuação dos morcegos na regeneração da vegetação. A dispersão fecal também leva sementes de espécies pioneiras e secundárias encontradas em remanescentes florestais próximos.
A Mata Atlântica conserva cerca de 12,4% de sua cobertura original, conforme o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Inpe.
Os autores ainda precisam definir protocolos específicos e avaliar os efeitos da técnica na regeneração vegetal a longo prazo. Entre os próximos passos estão a identificação de novos compostos, a medição do poder de atração de cada substância e testes com câmeras infravermelhas para monitoramento noturno.
A iniciativa é relacionada ao ODS 12, de Consumo e Produção Responsáveis, e ao ODS 15, de Vida Terrestre, da ONU.








