BRASÍLIA — A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar em procedimentos relacionados ao caso Master. A solicitação foi enviada ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Gonet aparece nominalmente no relatório da Polícia Federal que registrou a relação próxima entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Na sexta-feira, o procurador-geral pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que investigue uma possível interferência externa na elaboração do documento. Na terça-feira, também solicitou a nulidade do relatório, sob a alegação de que Mendonça extrapolou suas atribuições ao determinar a investigação.
A ADPF defende o arquivamento do Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial instaurado pela Procuradoria-Geral da República. Para a entidade, esse instrumento não pode ser usado para revisar decisões judiciais nem para questionar delegados e servidores que cumpriram uma ordem do STF.
“Dirigir o questionamento a quem cumpriu a ordem transfere aos executores uma controvérsia que não é deles”, afirmou a associação em nota. O documento também cita o artigo 258 do Código de Processo Penal, que estende aos integrantes do Ministério Público regras de impedimento e suspeição aplicadas aos juízes.
A associação solicitou que Gonet deixe de praticar atos nos procedimentos relacionados aos fatos em que é citado, tanto como fiscal da lei quanto como titular do controle externo. Pediu ainda que os fatos revelados pela Operação Compliance Zero sejam apurados integralmente, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas.
A entidade informou que dará assistência aos delegados alcançados por procedimentos instaurados nessas circunstâncias. A nota é assinada pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, entidade que representa mais de 2.300 delegados e delegadas, e tem data de 5 de setembro de 2026.








