O Conselho Superior do Ministério Público Federal analisa se existem indícios de crime comum na conduta de Paulo Gonet, procurador-geral da República, no caso Master. O relator do procedimento, subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino, votou contra a abertura de investigação.
A avaliação ocorre a partir de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, fundador do banco. Segundo Sanseverino, as conversas mencionam Gonet, mas foram trocadas entre terceiros e não comprovam contato direto ou indireto entre o procurador-geral e o ex-banqueiro.
“Não houve nenhum contato direto, nem indireto dele, solicitação direta ou indireta de vantagem, de viagem ou o que seja”, afirmou o relator durante a sessão. Ele disse que o material reúne conversas entre o investigado, Vorcaro e Ciro Soares, ex-advogado do banqueiro, sem participação de Gonet.
Limites da análise
Sanseverino também declarou que não cabe ao Conselho Superior do MPF indicar eventual impedimento ou suspeição do relator, porque as atribuições do colegiado são restritas. Para ele, um possível crime de responsabilidade do procurador-geral deve ser analisado pelo Senado.
Das mais de 200 páginas do relatório da Polícia Federal, o relator destacou que há mensagens de terceiros citando Gonet, mas sem comprovação de relacionamento com Vorcaro. Ele também afirmou que a decisão da Procuradoria-Geral da República, em março de 2026, de pedir mais prazo para analisar a prisão do fundador do Master não representou beneficiamento.
A justificativa apresentada foi o volume de documentos em um prazo de 72 horas para a análise da 3ª fase da operação Compliance Zero.
Mensagens e encontro
Em 15 de março do ano passado, Ciro Soares enviou a Vorcaro uma foto em que aparece com Gonet e escreveu: “Liga aqui. Ele quer falar com você”. Depois, Vorcaro ligou para o telefone do advogado.
A Polícia Federal também encontrou uma foto de Vorcaro sentado ao lado de Gonet durante um evento em Londres, no Reino Unido. Outras 2 pessoas aparecem na imagem. O arquivo foi enviado a Vorcaro por Ciro Soares em 19 de junho de 2025, acompanhado da mensagem “PG me mandou”.
Durante uma sessão do Supremo de 15 de setembro, Gonet afirmou que encontrou Vorcaro uma única vez, em abril de 2024, em uma ocasião com outras autoridades, e negou ter mantido relação de proximidade com ele.








