São Paulo, Domingo, 20 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00% São Paulo 18°C 18° / 24°
Política

Crise no STF pressiona Lula a rever vínculo político com Moraes

Presidente avalia como se afastar do ministro sem ampliar o desgaste eleitoral e teme uma reação de Alexandre de Moraes.

Crise no STF pressiona Lula a rever vínculo político com Moraes

A crise no Supremo Tribunal Federal levou aliados de Luiz Inácio Lula da Silva a defenderem uma separação pública entre o presidente e Alexandre de Moraes. Parte do staff petista considera que Lula deveria pedir que o ministro se licencie da Corte para se defender das revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro e o Banco Master.

A percepção no núcleo da campanha é que a imagem negativa associada à atuação de Moraes passou a atingir diretamente o presidente. Em entrevista ao SBT na noite de quinta-feira (10), Lula citou o ministro ao comentar o caso Master e defendeu investigação e eventual responsabilização se irregularidades forem comprovadas. “Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar”, afirmou.

Resistências no entorno do presidente

O afastamento, porém, causa desconforto entre interlocutores políticos por causa do papel desempenhado por Moraes em decisões relevantes para o projeto político do PT. O ministro teve atuação central no Tribunal Superior Eleitoral em 2022, conduziu processos que atingiram Jair Bolsonaro e participou de articulações entre o governo e o Congresso.

Um dos episódios mencionados é a reaproximação entre Lula e Davi Alcolumbre, presidente do Senado. O movimento ocorreu após a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF. Depois disso, Alcolumbre deixou de resistir à votação da medida provisória que zerava a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A proposta foi aprovada pelo Senado em 3 de setembro e sancionada por Lula nesta quinta-feira (10), evitando a volta da cobrança em 9 de setembro.

Em abril, Lula já havia demonstrado preocupação a Moraes com os efeitos das denúncias e defendido que o ministro prestasse explicações e se declarasse impedido no caso. Ministros aliados, como Gilmar Mendes e Flávio Dino, desestimularam uma ofensiva pública.

Risco eleitoral e sessão no Supremo

O estrategista eleitoral Roberto Reis avalia que um rompimento neste momento poderia ser interpretado como confissão de culpa e produzir mais notícias sobre a relação entre Lula e Moraes. Segundo ele, a campanha teria pouco mais de três semanas para tentar construir uma estratégia de afastamento. “A campanha acaba em 20 dias”, disse.

Reis também afirma que Lula teme a reação do ministro. O cientista político Leandro Gabiatti, da Dominium, considera que o presidente precisa tirar o Supremo do centro da agenda pública e recolocar a campanha como tema principal.

A tensão pode aumentar na próxima terça-feira (15), quando está prevista uma sessão extraordinária do plenário do STF sobre um relatório da Polícia Federal relacionado a Moraes. O documento foi produzido após determinação de André Mendonça para aprofundar a apuração de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro.

Gilmar Mendes pediu nesta sexta-feira (11) o adiamento da sessão ao presidente do STF, Edson Fachin, e sugeriu que outro relatório, produzido a pedido de Moraes e relacionado a Mendonça, seja incorporado à discussão. A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade do relatório e apontou irregularidades na investigação.

Fachin determinou a retirada do sigilo de documentos do caso, embora parte do material continue restrita por envolver diligências em andamento. Moraes defendeu o levantamento integral do sigilo e a análise conjunta das investigações relacionadas a ele e a Mendonça. Para Reis, um confronto público no plenário manteria o STF no centro da campanha de Lula.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5