SÃO PAULO — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Operação Make Up, da Polícia Federal, para investigar o suposto desvio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
O deputado Mário Frias é apontado como responsável pelo envio dos recursos federais ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura. As organizações são presididas pela empresária Karina Ferreira da Gama e são investigadas por possível uso como fachada para lavagem de dinheiro.
Os repasses teriam ocorrido por meio de termos de fomento, acordos entre o governo e organizações para a execução de projetos. De acordo com as investigações, serviços contratados podem ter sido simulados ou superfaturados para beneficiar empresas ligadas ao grupo investigado.
Relação com o filme
Mário Frias atuou como roteirista e produtor executivo de Dark Horse. A produtora Go Up pertence a Karina Ferreira da Gama, que também preside as entidades beneficiadas pelas emendas.
A Polícia Federal investiga se os recursos foram usados indiretamente para pagar despesas da produção, como hospedagem e alimentação, além de remunerar pessoas ligadas ao núcleo político do deputado.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a Mário Frias e Karina Gama em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Dino também determinou a apreensão dos passaportes dos principais investigados e proibiu o contato entre os suspeitos.
Outra investigação
O financiamento do filme também é analisado em um inquérito que apura a participação de Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master. Áudios vazados indicam que o senador Flávio Bolsonaro teria pedido recursos ao empresário para a produção.
Flávio Bolsonaro afirma que se trata de um contrato privado, sem verba pública, e diz que prestará contas. Os valores ainda não foram detalhados publicamente. A polícia investiga se há uma única organização criminosa responsável por captar e ocultar recursos públicos nos contratos analisados.









