O ex-deputado americano David Rivera, do Partido Republicano, foi condenado a 10 anos de prisão nos Estados Unidos por atuar secretamente como agente estrangeiro e conspirar para lavagem de dinheiro em favor do governo da Venezuela. A sentença foi proferida na 6ª feira (2.out.2026). Rivera tem 61 anos.
Em 2017, ele assinou um contrato de consultoria de US$ 50 milhões com a PDV USA, subsidiária americana da estatal venezuelana PDVSA. O objetivo era aproximar o governo de Nicolás Maduro da gestão de Donald Trump durante o primeiro mandato do presidente americano e tentar reduzir as sanções econômicas aplicadas a Caracas.
Contrato não registrado
As investigações da Justiça dos Estados Unidos apontaram que Rivera não registrou o contrato conforme exigia a lei americana para representantes de governos estrangeiros, conhecida pela sigla FARA. Segundo os investigadores, ele temia que a divulgação do trabalho para o governo venezuelano prejudicasse sua imagem política de anticomunista na Flórida.
Para esconder as negociações, Rivera criou um grupo de mensagens criptografadas com o empresário de mídia venezuelano Raúl Gorrín. Os participantes usavam codinomes. Maduro era identificado como “motorista do ônibus”; o congressista Pete Sessions, como “Sombrero”; Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, como “A Dama de Vermelho”; e Marco Rubio, secretário de Estado, como “Miss Clairol”.
Promotores federais afirmaram que parte do dinheiro recebido por Rivera foi desviada por contratos fraudulentos. Cerca de US$ 3,75 milhões foram enviados a uma empresa responsável pela manutenção do iate de luxo de Gorrín.
A defesa disse no julgamento que o contrato buscava levar a ExxonMobil de volta à Venezuela e que essa atividade não exigiria registro como agente estrangeiro. Os advogados anunciaram que vão recorrer. Rivera também pediu indulto presidencial e é réu em outro processo na Justiça federal em Washington, relacionado a atividades de lobby.









