BRASÍLIA — O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou nesta sexta-feira (4) a investigação contra o ministro André Mendonça do inquérito das fake news. Mais tarde, Fachin também prometeu o fim da Ação Penal 4781.
A decisão ocorreu depois de, na véspera, o ministro Alexandre de Moraes tentar enquadrar Mendonça no inquérito. O caso está relacionado à crise instalada na Suprema Corte após Mendonça derrubar o sigilo de investigações que mostraram a extensão da intimidade de Moraes com o caso Master.
No mesmo dia, Luiz Inácio Lula da Silva esteve ao lado de Fachin, no primeiro encontro público entre os dois desde o início da crise na Corte. O presidente afirmou que ocupantes de cargos públicos não podem agir em benefício próprio sob a justificativa de defender a democracia.
“Ninguém, ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem para benefícios pessoais”, declarou Lula.
Em seguida, Lula fez um discurso em defesa da credibilidade das instituições. Ele disse que todos devem seguir os mesmos procedimentos previstos na legislação e afirmou que a Suprema Corte está sob forte expectativa da sociedade brasileira.
“Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação”, afirmou o presidente. Lula também disse que Fachin e o procurador-geral da República, Gonet, têm a responsabilidade de transmitir tranquilidade sem esconder informações.
Desde o dia anterior, Lula tem reagido à crise institucional da Suprema Corte. O presidente procura atribuir ao próprio governo a responsabilidade pelas investigações e se distanciar do escândalo.
No mês passado, Lula se reuniu com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e com Cristiano Zanin na casa de Alexandre de Moraes. O encontro marcou uma reconciliação após meses de afastamento entre Lula e Alcolumbre. O teor da reunião nunca foi completamente conhecido, e críticos questionaram a articulação política de ministros da Suprema Corte com representantes de outros Poderes.








