O advogado Marco Aurélio de Carvalho defendeu que Luiz Inácio Lula da Silva convoque o Conselho da República para discutir a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal. O órgão é previsto no artigo 89 da Constituição e tem função consultiva da Presidência.
Coordenador da campanha de Lula em São Paulo, Carvalho também pediu que o governo conteste no plenário do STF a decisão individual do ministro André Mendonça que afastou Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A declaração foi feita nesta 3ª feira (8.set.2026).
Carvalho afirmou que o Brasil vive uma “crise institucional sem precedentes na história do país”. Segundo ele, órgãos e Poderes estariam exercendo atribuições que não foram previstas pela Constituição. O advogado disse ainda que o recurso deveria ser apresentado “antes inclusive de cumprir a decisão”.
Afastamento e investigação
A decisão de Mendonça foi tomada na Petição 16.662, da qual ele é relator. O caso envolve a elaboração de um relatório de inteligência da PF sobre a atuação do ministro. De acordo com Mendonça, o documento indicaria monitoramento de sua atuação no Supremo e avaliações sobre decisões judiciais, integrantes da Advocacia Geral da União e policiais federais.
Além de Andrei Rodrigues, foi afastado preventivamente o diretor de inteligência da PF, Leandro Almada da Costa. Mendonça também determinou a abertura de investigação pela Corregedoria da corporação. O afastamento seria analisado pela 2ª Turma do STF em sessão virtual extraordinária convocada nesta 3ª feira.
Carvalho declarou que eleições devem ser disputadas pelo voto e afirmou que funções públicas não podem ser “capturadas por interesses políticos e eleitorais”. Depois do pedido de afastamento, ele também defendeu uma reunião urgente entre Lula e o ministro Edson Fachin.
Tensão entre ministros
Lula havia se reunido, na 3ª feira (1º.set.2026), com Fachin e Gilmar Mendes, no Palácio do Planalto. O encontro ocorreu no início da crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Na mesma data, Mendonça retirou o sigilo de documentos de uma investigação sobre o Banco Master. Os registros, encontrados no celular de Daniel Vorcaro, fundador da instituição, mencionavam relações com Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de Andrei Rodrigues.
Em 3 de setembro, Moraes pediu a investigação de Mendonça no inquérito das fake news por abuso de autoridade. Relatórios de inteligência da PF usados no pedido questionavam a atuação do ministro, mas ressaltavam que não tinham valor probatório nem eram peças de instrução processual.








