O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e assumiu a supervisão do caso. A decisão foi tomada nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, em meio a conflitos entre ministros da Corte. Fachin também marcou para 15 de setembro o julgamento que vai avaliar a abertura de uma investigação contra Moraes.
A intervenção ocorreu após decisões divergentes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal. Fachin anulou as ordens anteriores de afastamento e reintegração e passou a organizar o rito processual. Ele criticou os embates entre ministros e afirmou que a contestação horizontal de decisões prejudica a integridade do STF.
Destino do inquérito
Com a saída de Moraes, Fachin determinou o envio dos autos à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Os dois órgãos deverão decidir se apresentam denúncias formais ou se solicitam o arquivamento definitivo do caso, que tramita desde 2019. Fachin sinalizou que pretende encerrar a investigação.
Julgamento sobre Moraes
A sessão de 15 de setembro analisará relatórios sobre uma suposta relação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Os documentos mencionam mensagens enviadas pelo empresário ao ministro com pedidos de auxílio em apurações de fraudes financeiras.
O relatório também afirma que Moraes teria editado um contrato milionário envolvendo o escritório de advocacia de sua família e Vorcaro. Ainda de acordo com o documento, cartões de crédito com limites de 300 mil reais teriam sido reservados para os filhos do ministro. O plenário decidirá se os fatos justificam a abertura de um inquérito.
Antes de analisar o mérito, os ministros deverão avaliar se as provas reunidas por André Mendonça seguiram as regras legais. Se a maioria considerar o procedimento válido, a investigação poderá ser aberta. Gilmar Mendes e Flávio Dino tendem a defender o arquivamento, enquanto Mendonça deve votar pela apuração, possivelmente com Fachin e Luiz Fux.
Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli são apontados como possíveis votos decisivos. Caso a investigação seja aprovada, há possibilidade teórica de afastamento do cargo.








