A parcela das famílias que comprometeu mais da metade da renda com dívidas chegou a 19,2% em agosto de 2026, o maior nível desde março. O comprometimento médio da renda, porém, ficou estável em 29,5%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A inadimplência geral avançou para 29,9%, com alta de 0,1 ponto percentual no mês. Já o endividamento permaneceu em 82% pelo segundo mês consecutivo e completou sete meses seguidos em nível recorde. Em agosto de 2025, o índice era de 78,8%.
Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, a parcela com contas atrasadas passou de 38,5% para 38,8%. Nesse grupo, 85,1% informaram ter dívidas. Também subiu em 0,5 ponto percentual a proporção de consumidores sem condições de quitar os débitos, para 18,3%.
“Estamos chegando ao último trimestre do mesmo jeito que começamos o ano, com recorde de endividamento e crescimento da inadimplência”, afirmou José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.
A proporção de famílias que disseram não conseguir pagar contas atrasadas alcançou 12,5%, o maior nível desde fevereiro. O grupo que se considera “muito endividado” chegou a 17,4%, enquanto a parcela dos “pouco endividados” caiu para 34,9%.
O tempo médio de atraso aumentou para 65 dias, após três meses de melhora. Entre os devedores, 29,1% tinham contas vencidas entre 30 e 90 dias. Embora 33,4% das famílias tivessem compromissos com prazo superior a um ano, o alongamento das dívidas não conteve a inadimplência.
Cenário por faixa de renda
Nas famílias com renda de 3 a 5 salários mínimos, o endividamento recuou de 85,1% para 83,7%, e as dívidas em atraso caíram para 28%. Na faixa de 5 a 10 salários mínimos, o endividamento ficou em 77,2%, a inadimplência em 20,3% e a falta de condições de pagamento em 7,8%.
Entre quem recebe acima de 10 salários mínimos, o endividamento subiu 0,3 ponto percentual, para 72,3%, enquanto a inadimplência caiu para 14,9%.
A CNC projeta aumento das contas em atraso durante o próximo trimestre. Para a entidade, a estabilização das finanças dependerá de uma redução gradual do nível de endividamento. Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, afirmou que a situação financeira das famílias de menor renda mantém o endividamento em patamar recorde.









