Uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência poderá aproximar o Brasil dos Estados Unidos em segurança, tecnologia e defesa. O candidato liderou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos e defende mudanças na política externa, incluindo maior integração com o Ocidente e flexibilização das regras do Mercosul.
A proposta prevê que o Brasil possa negociar acordos comerciais bilaterais, especialmente com os Estados Unidos, sem depender de tratativas conjuntas entre os países do bloco. A posição se aproxima da defendida pelo presidente argentino Javier Milei, mas economistas alertam que a mudança pode enfraquecer a Tarifa Externa Comum e reduzir o poder de negociação brasileiro com outras grandes economias.
Relação com China e Estados Unidos
A dependência comercial da China deve limitar alterações profundas na política externa. Os chineses compram mais de três vezes o volume exportado para os Estados Unidos e respondem por 30,7% das vendas brasileiras ao exterior. O setor agroexportador deve defender a continuidade desse vínculo.
Nesse cenário, a política econômica tende a preservar uma relação pragmática com a China, embora possa haver redução de parcerias estatais em áreas consideradas sensíveis, como tecnologia espacial e infraestrutura.
Com os Estados Unidos, a estratégia prevê cooperação de longo prazo em defesa, inteligência e processamento de minerais críticos, incluindo terras raras usadas na indústria de semicondutores e baterias. Flávio Bolsonaro já se reuniu com Donald Trump e J.D. Vance. A proposta é oferecer segurança jurídica para investimentos americanos no Brasil e ampliar a participação brasileira na redução da dependência global de componentes chineses.
Segurança internacional
Na área de segurança, o plano prevê cooperação direta com agências americanas contra o crime organizado. Entre as metas está a manutenção da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos, medida que facilita o bloqueio de ativos financeiros e o compartilhamento de dados de inteligência.
Também há uma proposta de reforma no Ministério das Relações Exteriores. As embaixadas seriam cobradas por resultados na atração de investimentos e na antecipação de crises.







