A eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL) poderia abrir espaço para uma relação inicialmente mais cooperativa entre Brasil e Estados Unidos, na avaliação de Nick Zimmerman. O ex-diretor para Brasil e Cone Sul do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, porém, apontou a presença da China em setores estratégicos brasileiros como um possível foco de conflito entre os dois governos.
Zimmerman disse que o governo de Donald Trump tentaria limitar o acesso chinês à infraestrutura e aos minerais críticos do Brasil. A pressão, segundo ele, poderia incluir negociações sobre setores considerados relevantes para os Estados Unidos. O pesquisador avaliou, no entanto, que é improvável que essa iniciativa produza resultados.
Como referência, citou a relação entre os governos Trump e Jair Bolsonaro. Apesar da proximidade ideológica, Bolsonaro não barrou a participação da Huawei no 5G brasileiro, segundo Zimmerman. Para ele, o alinhamento político tem limites quando não é acompanhado de um projeto econômico concreto.
Em um eventual governo de Flávio, também poderiam ser discutidos acordos de comércio recíproco nos moldes dos ARTs defendidos por Trump. Nesse cenário, parte das tarifas impostas ao Brasil poderia ser reduzida, e a segurança pública entraria entre os temas de cooperação.
Pressão sobre o Brasil
Zimmerman afirmou que uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva por margem estreita poderia levar o governo Trump a contestar o resultado. Ele espera uma postura diferente da adotada pelo governo de Joe Biden em relação à credibilidade do processo eleitoral brasileiro.
Para o pesquisador, o não reconhecimento poderia servir como instrumento de pressão a partir de 2027, com possibilidade de novas sanções e medidas de coerção econômica. Ele afirmou que a relação bilateral atingiu o pior nível desde o golpe de 1964, citando o tarifaço aplicado ao Brasil no ano passado, as sanções da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e a classificação do CV e do PCC como organizações terroristas.
Zimmerman também mencionou ações atribuídas ao governo Trump em outros países. Na Argentina, houve a promessa de US$ 20 bilhões antes das eleições legislativas. Em Honduras, Trump teria ameaçado suspender toda a ajuda externa caso não vencesse o candidato que apoiava.
O pesquisador afirmou que Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama não haviam apoiado publicamente candidatos de outros países nem usado a política econômica para favorecer candidaturas estrangeiras. Para ele, a conduta de Trump não tem precedente recente na história dos Estados Unidos.
Sobre o CV e o PCC, Zimmerman descartou operações militares norte-americanas no Brasil, mas alertou para possíveis efeitos no sistema financeiro. Bancos brasileiros poderiam ser atingidos se fossem considerados negligentes na prevenção à lavagem de dinheiro ligada a organizações classificadas como terroristas pelos Estados Unidos. “Já tem 25 organizações classificadas como terroristas e a tendência é crescer”, afirmou.








