RIO DE JANEIRO — Anthony Garotinho continua em campanha e mantém o nome na urna enquanto aguarda a análise de recursos contra a decisão que o declarou inelegível. O julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não tem data, e o processo permanece no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), onde foram apresentados embargos de declaração.
Se a inelegibilidade for mantida e Garotinho receber votos, eles serão anulados. Como a eleição exige metade mais um dos votos válidos para uma vitória no primeiro turno, a retirada desses votos pode alterar o resultado da disputa.
Pesquisas mostram cenários diferentes
Eduardo Paes (PSD), apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lidera as pesquisas citadas. Douglas Ruas (PL) aparece em segundo, e Garotinho, do Republicanos, está em terceiro.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro, Paes tinha 43% das intenções de voto, Ruas, 25%, e Garotinho, 10%. Considerados apenas os votos válidos, os percentuais eram de 49%, 28% e 11%, respectivamente. Se Garotinho receber essa proporção, ou uma quantidade menor, e os votos forem anulados, Paes poderá vencer no primeiro turno.
Em levantamento Atlas de 23 de setembro, Paes marcou 45,7% com Garotinho no cenário, contra 32,4% de Ruas e 8,9% do candidato do Republicanos. Sem Garotinho, Paes teve 44,4% e Ruas, 38,2%. A margem de erro foi de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A pesquisa Quaest de 23 de setembro registrou 36% para Paes, 23% para Ruas e 8% para Garotinho. Sem o candidato do Republicanos, os índices foram de 38% e 25%, respectivamente. A margem de erro foi de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Disputa judicial
A ação trata de uma acusação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) sobre os anos de 2005 e 2006, quando Garotinho era secretário estadual de Governo na gestão de Rosinha Matheus, sua mulher, como governadora do Rio.
O MP-RJ acusou o ex-secretário de participar de um esquema que teria desviado R$ 234,4 milhões da Secretaria Estadual de Saúde. O caso envolvia o rompimento de um contrato do projeto “Saúde em Movimento” e a contratação, sem licitação, de outra empresa pelo mesmo valor.
Em julho de 2018, o Tribunal de Justiça do Rio considerou Garotinho culpado por violar normas da Lei de Improbidade Administrativa e cassou seus direitos políticos por oito anos. Os recursos foram rejeitados nas instâncias seguintes.
Em 10 de agosto passado, o juiz Ricardo Cyfer, da 4ª Vara da Fazenda Pública do Rio de Janeiro, afirmou que o processo havia transitado em julgado após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar recurso e determinou o início do cumprimento da pena. Para a defesa, porém, a contagem começou em 1º de agosto de 2018 e terminou em 1º de agosto de 2026.
O TRE-RJ decidiu, por unanimidade, em 11 de setembro, que o prazo da inelegibilidade começou a ser contado apenas naquele momento. Garotinho recorreu ao TSE. Seus correligionários dizem que a demora na análise dos embargos é proposital e esperam que a decisão seja reformada.









