O procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou nesta terça-feira (15) ter relação de proximidade com Daniel Vorcaro, do Banco Master. A declaração foi feita durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suposta ligação com o ex-banqueiro.
“Não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro”, afirmou Gonet. Segundo ele, o único encontro ocorreu com várias autoridades em abril de 2024, e a única ligação entre os dois foi intermediada por um advogado e durou pouco.
Na ocasião, Gonet, o ministro Dias Toffoli, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, participaram, em Londres, de uma degustação de uísque escocês Macallan com Vorcaro. A experiência teria custado US$ 641 mil, pouco mais de R$ 3 milhões no câmbio da época.
O nome de Gonet apareceu em um relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. O documento afirma que o ex-banqueiro teria financiado uma viagem do filho do procurador-geral para Londres em meados de 2025. As mensagens também indicariam que Gonet conversou com Vorcaro por meio do advogado Ciro Soares.
O material foi divulgado pelo ministro André Mendonça, então relator do caso Master, no último dia 1º. Gonet disse que Mendonça reconheceu não haver elementos que apontassem para uma prática ilícita atribuída ao procurador-geral.
Durante a sessão, Mendonça afirmou que o caso deveria ser avaliado considerando os fatos conhecidos. O ministro Gilmar Mendes interrompeu a fala e defendeu Gonet. “É impressionante que uma pessoa da estatura de Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação”, disse.
Flávio Dino interrompeu o julgamento sobre Moraes com um pedido de vista, que dá mais tempo para a análise dos documentos. O prazo é de até 90 dias. O placar provisório ficou em 4 votos a 3 contra a análise conjunta dos pedidos de investigação contra Moraes e Mendonça.







