A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pretende manter a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) como tema de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas semanas finais do primeiro turno. A estratégia ganhou força após o julgamento sobre a possível abertura de investigação contra Alexandre de Moraes terminar sem decisão nesta terça-feira (15).
A sessão foi suspensa depois que Flávio Dino pediu vista, com o placar em 4 a 3 em uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. A proposta era analisar conjuntamente os casos de Moraes e André Mendonça. A votação, porém, ainda não discutia o mérito de uma eventual investigação contra Moraes. O pedido de vista pode se estender por até 90 dias.
Na avaliação da campanha, a continuidade do caso mantém o ministro e sua relação política com Lula no centro do debate. Flávio disse esperar que o STF autorizasse o início das apurações e afirmou que a maioria do plenário teria a obrigação de permitir a investigação e o afastamento de Moraes.
Estratégia eleitoral
A comunicação do candidato já associa Lula a Moraes e apresenta uma eventual reeleição do presidente como continuidade da atual configuração do Supremo e da relação entre o Executivo e a Corte. A campanha também acusa o governo de ter provocado desequilíbrio institucional.
A orientação interna é combinar o discurso sobre as instituições com temas econômicos, especialmente o custo de vida, além de ampliar conteúdos voltados às mulheres e à segurança pública. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, questionou a confiança da população no tribunal.
Uma pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14) apontou Flávio com 42% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno, contra 40% de Lula. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, configurando empate técnico. Na rodada anterior, os dois tinham 41%.
O levantamento também indicou que 56% dos entrevistados não confiam no STF, dez pontos acima dos 46% registrados em agosto. Outros 30% disseram confiar pouco na Corte, enquanto 9% afirmaram confiar muito. Entre eleitores independentes, a desconfiança chegou a 65%; entre apoiadores de Flávio, a 69%; e entre os eleitores de Lula, a 30%.
A pesquisa ouviu eleitores com 16 anos ou mais entre 10 e 13 de setembro de 2026. Foram realizadas 2.004 entrevistas, com nível de confiança de 95% e margem de erro de aproximadamente dois pontos percentuais. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03607/2026.








