O Instituto Vladimir Herzog enviou, em 19 de setembro, uma carta ao secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, sobre o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O documento pede que os países-membros reconheçam o resultado das eleições de 2026, independentemente do vencedor.
A carta também defende o respeito à autonomia das missões internacionais de observação eleitoral. O instituto afirma que o não reconhecimento do resultado por governos estrangeiros pode alimentar redes de desinformação e fortalecer contestações internas.
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O documento menciona uma lista de 21 exigências apresentadas pelos Estados Unidos ao Brasil durante negociações pelo tarifaço. Entre os itens, estaria a permissão para “dissidentes políticos” nas eleições. A proposta não avançou no nível diplomático, segundo a carta, que também cita tarifas contra produtos e sanções a autoridades brasileiras.
Outro ponto é a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. O instituto afirma que a medida poderia criar um pretexto para uma invasão americana em território brasileiro.
A carta ainda menciona a tentativa de enviar dois assessores do governo de Donald Trump para questionar as eleições no Brasil. Os vistos foram negados pelo governo brasileiro. Os Estados Unidos negam essa interpretação e dizem que a visita teria caráter regular.
O documento destaca que a preocupação com interferência na política brasileira também apareceu nos Estados Unidos. Em dezembro do ano passado, os deputados Lindas Sánchez e Adrinado Espaillat, acompanhados de 48 parlamentares, enviaram uma carta a Trump condenando ataques à democracia brasileira e ingerência na política do Brasil.
O Instituto Vladimir Herzog também cita um alerta da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que classificou como “nível de criticidade” a possibilidade de ingerência de Washington no processo eleitoral brasileiro.
Para o diretor executivo do instituto, Rogério Sottili, existe o risco de ferramentas de pressão serem usadas para influenciar o ambiente eleitoral em favor de atores alinhados ao governo dos Estados Unidos. Ele também mencionou a possibilidade de alegação de fraude, deslegitimação das instituições e não reconhecimento do resultado caso as urnas contrariem essa expectativa.








