Luiz Inácio Lula da Silva passou a defender mudanças em medidas adotadas por seu próprio governo na reta final da eleição. Entre os temas estão as apostas esportivas, a tributação de compras internacionais, o Bolsa Família e a oferta de medicamentos para emagrecimento pelo SUS.
A alteração mais recente envolve as bets. O governo propôs, sancionou e implantou a regulamentação do setor, que passou a gerar bilhões de reais em tributos. Agora, Lula adotou uma posição favorável ao banimento das apostas.
Mudanças em medidas do governo
Também houve recuo em relação à tributação de compras internacionais de pequeno valor. A gestão petista apoiou a cobrança, posteriormente sancionada por Lula. Em 2026, porém, o fim da chamada “taxa das blusinhas” entrou na pauta negociada pelo presidente com os comandos da Câmara e do Senado.
O Bolsa Família, que mantinha o mesmo valor desde 2022, teve reajuste anunciado a 17 dias do primeiro turno. A correção de 15,04% elevou o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691. O governo estimou impacto adicional superior a R$ 22 bilhões nas contas de 2027.
A justificativa oficial é que o aumento recompõe a inflação acumulada e cabe no espaço fiscal disponível. A proximidade da votação, porém, provocou debate sobre o componente eleitoral da medida, que alcança milhões de famílias.
No mesmo período, Lula passou a defender a oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS. O discurso ocorreu antes da definição de critérios de incorporação, público-alvo, cronograma e impacto financeiro.
Críticas e disputa judicial
O deputado Nikolas Ferreira explorou nas redes sociais as mudanças de posição sobre bets, compras internacionais e medicamentos para emagrecimento. “O próprio governo cria os problemas para depois poder apresentar a solução para eles”, afirmou.
A expressão “fazer o diabo”, usada por Lula para se referir à disputa eleitoral, foi celebrizada por Dilma Rousseff em março de 2013, durante uma declaração sobre sua campanha à reeleição no ano seguinte. A sequência de mudanças passou a ser usada por adversários para confrontar decisões do governo com as propostas do presidente-candidato.
A campanha de Lula também acionou o Supremo Tribunal Federal para apurar eventual interferência estrangeira nas eleições. O caso foi destinado a Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula e indicado pelo presidente ao tribunal.








