O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou no domingo (27.set.2026) que as dificuldades na relação com Donald Trump estão relacionadas a integrantes do governo dos Estados Unidos. Segundo Lula, essas pessoas repassam informações equivocadas sobre o Brasil ao presidente norte-americano.
A declaração foi dada em entrevista ao programa Canal Livre, gravada no Palácio da Alvorada. Lula disse que mantém disposição para conversar com Trump e que os encontros entre os dois foram positivos. Para o presidente brasileiro, Marco Rubio não gosta do Brasil nem da América Latina. Ele classificou Rubio como “um anti-latino-americano”.
Lula também criticou declarações de Trump sobre conflitos internacionais. Ao comentar a guerra entre Israel e o Irã, afirmou que o presidente dos Estados Unidos anunciou o fim do conflito antes de considerar os efeitos sobre o estreito de Ormuz. Lula mencionou ainda a morte de Ali Khamenei.
Relação comercial
O presidente disse que pretende manter o diálogo com os Estados Unidos para tratar de interesses comerciais e diplomáticos. Ressaltou, porém, que a soberania brasileira e a democracia não são negociáveis.
Lula afirmou que o governo dispõe das informações necessárias para as negociações e que o Brasil poderá aplicar a Lei da Reciprocidade se não houver acordo. “Eu não quero fazer ameaça, porque eu não gosto de fazer ameaça”, declarou.
O Brasil está submetido a uma sobretaxa de 37,5% pelos Estados Unidos. Uma cobrança de 25% foi associada a alegações de que práticas comerciais brasileiras prejudicam o comércio bilateral. O processo também inclui temas como Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento.
Outra cobrança, de 12,5%, decorre de uma investigação sobre a fiscalização de produtos relacionados a trabalho forçado na cadeia de importação. O governo brasileiro contesta os argumentos usados nas duas medidas.
As tratativas foram retomadas após um telefonema entre Lula e Trump em agosto, com duração de cerca de 1h20. As tarifas foram o principal assunto. Apesar da reabertura do canal de diálogo, não há indicação de acordo definitivo, que deve ficar para depois das eleições.








