BRASÍLIA — Investigações sobre o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro tiveram o andamento reduzido a pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições de 2026. As apurações envolvem suspeitas de corrupção, fraudes financeiras e relações entre empresas privadas e autoridades públicas em Brasília.
A Operação Compliance Zero não teve novas fases desde julho, embora a Polícia Federal tenha material para dezenas de etapas. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou que o ministro André Mendonça lhe entregasse processos específicos. O conflito sobre a competência para conduzir os casos levou a PF a suspender temporariamente novos pedidos de busca e prisão.
Na prática, as investigações continuam formalmente abertas, mas o trabalho perdeu ritmo para evitar novos conflitos jurídicos no STF.
A tentativa de instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado também não avançou. O ministro Cristiano Zanin rejeitou o pedido de instalação imediata e afirmou que ainda é necessário ouvir o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Embora houvesse assinaturas suficientes, a decisão manteve suspensa a investigação política. O ritmo reduzido de sessões do Congresso durante o período eleitoral deve deixar eventual convocação de testemunhas para depois das eleições.
Há ainda um impasse sobre a condução de apurações que citam ministros do próprio STF. Os casos incluem relatórios sobre Alexandre de Moraes e pedidos para investigar a conduta de André Mendonça. O julgamento sobre o sorteio de um novo relator foi interrompido após pedido de vista de Flávio Dino. O plenário ainda precisa decidir se o caso ficará com Fachin, retornará a Mendonça ou será encaminhado a outro ministro.
Os depoimentos de Daniel Vorcaro à PF, previstos para o fim de setembro, foram adiados a pedido da defesa. Os advogados alegaram que não tiveram acesso a todos os documentos reunidos pela polícia. Vorcaro deverá prestar esclarecimentos sobre operações suspeitas com o Banco de Brasília e sobre a estrutura chamada “A Turma”, apontada como mecanismo de monitoramento de adversários. A análise do pedido deve empurrar as oitivas para depois do dia da eleição, mantendo o conteúdo sob sigilo por mais tempo.








