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Mãe vence corrida descalça na Índia para pagar estudos da filha

Ramabai Ranveer ganhou R$ 160 em uma prova de 3 quilômetros e destinou o prêmio à compra de livros e material escolar.

Mãe vence corrida descalça na Índia para pagar estudos da filha
Foto: Kiran Sakle/BBC

Ramabai Ranveer, uma viúva de 47 anos, venceu uma corrida de 3 quilômetros na Índia mesmo sem experiência e sem tênis adequados. Ela correu descalça até a linha de chegada para ganhar R$ 160 e ajudar a filha a comprar livros e material escolar.

A prova ocorreu em agosto e reunia competidoras de 30 a 60 anos. Ramabai retirou os tênis quando percebeu que eles estavam escorregando, ajeitou o sari e continuou. A vitória foi motivada pelos custos dos estudos das filhas.

“Meu único desejo era ganhar esse prêmio”, disse Ramabai. A filha mais velha, Pooja, 22, também participou da competição e recebeu R$ 102 pelo segundo lugar em sua categoria.

Trabalho e educação das filhas

Ramabai passou a sustentar a casa em 2012, depois da morte do marido. Ela trabalhou na colheita de soja, grão-de-bico e cúrcuma, além de cozinhar e vender alimentos. Atualmente, trabalha como cozinheira em uma academia onde Pooja se prepara para o recrutamento policial.

Ramabai abandonou a escola aos 13 anos e afirma que quer garantir uma formação melhor para as filhas. Pooja e Arati tentam passar em exames para empregos no Estado. Arati cursa Ciência da Computação e se prepara para provas do serviço público.

Os empregos estatais são apresentados como uma das principais formas de acesso à classe média no país, com pensão e subsídios para moradia. Milhões de estudantes se preparam durante anos para essas seleções, mas denúncias de irregularidades colocaram em dúvida a integridade dos exames.

Em maio, o Exame Nacional de Elegibilidade e Admissão para cursos de graduação em medicina foi cancelado depois de um vazamento. Quase 2 milhões de estudantes tiveram de refazer a prova.

Repercussão e ajuda financeira

A história de Ramabai ganhou destaque em redes sociais e jornais da Índia em meio a protestos sobre educação. Um relatório do governo apontou que apenas 8% dos graduados universitários conseguem empregos em que usam os conhecimentos dos cursos. A taxa de desemprego entre graduados é de 29,1%, nove vezes maior que a registrada entre pessoas que nunca frequentaram a universidade.

A mobilização estudantil também levou à renúncia do ministro da Educação em julho passado. O movimento passou a cobrar a modernização das escolas públicas, com atenção à infraestrutura e às desigualdades rurais.

A escola visitada perto do distrito de Ramabai não tinha banheiros para as alunas, e pacotes de comida vencidos eram usados no preparo do almoço. Para Abhijeet Dipke, fundador do Partido Popular da Barata (CJP), as crianças das áreas rurais deveriam receber uma educação digna.

No início deste mês, Surya Kant, presidente da Suprema Corte da Índia, determinou que o distrito concedesse a Ramabai uma ajuda financeira de R$ 2,5 mil. Sukhadeo Thorat, ex-presidente da Comissão de Subsídios Universitários, afirmou que a situação expõe falhas na execução dos programas educacionais do governo.

Ramabai disse que quer apenas que as filhas tenham uma vida feliz e não enfrentem as dificuldades que ela viveu.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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