O governo das Ilhas Malvinas prorrogou por cinco anos todas as licenças vigentes para a produção de hidrocarbonetos offshore. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (21) e recebeu apoio do Reino Unido, segundo comunicado do governo local.
As licenças estão atualmente na fase de exploração. O governo das ilhas poderá estendê-las por mais dois anos, desde que haja progresso satisfatório das empresas nos programas de trabalho. O Departamento de Recursos Minerais também prepara planos para o período adicional, com previsão de poços de avaliação adicionais.
O governo aprovou ainda a aquisição, pela empresa israelense Navitas, de uma participação de 65% na área da licença PL001. A medida deve acelerar a avaliação e o desenvolvimento das perspectivas existentes no bloco, informou o governo das Malvinas.
A decisão ocorre em meio à disputa entre Reino Unido e Argentina pelo arquipélago. No início do mês, o presidente argentino, Javier Milei, anunciou sanções contra empresas que explorarem recursos naturais nas ilhas e informou a construção de uma base naval integrada na província da Terra do Fogo.
Entre os alvos das medidas está o projeto Sea Lion, voltado à exploração de uma reserva de petróleo localizada 220 km ao norte do arquipélago. A área é controlada pelo Reino Unido, mas reivindicada pela Argentina. O projeto é desenvolvido pela britânica Rockhopper e pela israelense Navitas e deve começar a extrair petróleo em 2028.
Nas últimas semanas, o governo argentino convocou os embaixadores do Reino Unido e de Israel em Buenos Aires para entregar notas formais de protesto. A iniciativa ocorreu após o governo britânico publicar um guia para interessados em investir nas ilhas e afirmar que a Argentina não tem jurisdição sobre o arquipélago.
A disputa motivou uma guerra entre Argentina e Reino Unido em 1982, vencida pelos britânicos. A nova ofensiva de Milei ocorreu dias depois de Donald Trump mencionar a possibilidade de reavaliar a posição dos Estados Unidos sobre o conflito. Atualmente, os EUA mantêm neutralidade e reconhecem o controle britânico sobre as ilhas.








