A área urbanizada da Mata Atlântica cresceu 2,5 vezes entre 1985 e 2025, segundo levantamento do MapBiomas. O aumento foi de 1,3 milhão de hectares, levando a área total urbanizada a 2,3 milhões de hectares. Em 2025, 52% de toda a área urbanizada do Brasil estava no bioma.
São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba eram os únicos municípios da Mata Atlântica com mais de 30 mil hectares urbanizados em 2025. Mais de 80% dos municípios do bioma tinham menos de mil hectares nessa categoria. Os estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais registraram os maiores aumentos absolutos de áreas urbanizadas no período.
Expansão da silvicultura
A silvicultura também avançou na Mata Atlântica, com aumento de 3,8 milhões de hectares e área total de 4,9 milhões de hectares em 2025. Metade da silvicultura mapeada no Brasil estava no bioma. Paraná e Santa Catarina concentravam 46% dessa área.
O levantamento faz parte da Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do Brasil e reúne informações de 1985 a 2025. O MapBiomas é uma rede colaborativa de universidades, organizações não governamentais e empresas de tecnologia voltada ao monitoramento das transformações na cobertura e no uso da terra.
Mudanças na vegetação e na agropecuária
A Mata Atlântica perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura desde 1985, enquanto ganhou mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária, formada em áreas que voltaram a crescer depois do desmatamento. Atualmente, 1 em cada 4 hectares de vegetação nativa do bioma corresponde a áreas regeneradas.
Entre 2021 e 2025, foram suprimidos 1,2 milhão de hectares de vegetação: 700 mil hectares de áreas secundárias e 500 mil hectares de vegetação madura. As áreas secundárias responderam por 60% da supressão no período.
A agricultura ganhou 11 milhões de hectares em 41 anos. Em 2025, ocupava aproximadamente 20,5 milhões de hectares, equivalentes a 19% da área total do bioma. A agropecuária respondia por 63% do território, enquanto a vegetação nativa ocupava 32%.
A soja avançou 8,7 milhões de hectares e chegou a 11,11 milhões de hectares em 2025. A cana-de-açúcar ganhou 5 milhões de hectares e alcançou 6,15 milhões de hectares. A conversão de pastagens em agricultura representou 19% das mudanças de cobertura e uso da terra registradas entre 1985 e 2025.
A coordenadora técnica da Mata Atlântica do MapBiomas, Natália Crusco, afirmou que a regeneração é importante para recuperar áreas degradadas, mas defendeu a prevenção de novas perdas de vegetação madura e secundária.








