SÃO PAULO — O Museu do Holocausto afirmou na 4ª feira (16.set.2026) que O Diário de Anne Frank deve ser lido levando em conta o contexto em que foi escrito. A manifestação ocorreu 2 dias depois de um vídeo gravado durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
No vídeo, uma influenciadora pergunta a uma frequentadora quais foram os melhores e os piores livros lidos por ela no evento. A jovem escolhe Além do Bem e do Mal, de Friedrich Nietzsche, como o melhor, e aponta O Diário de Anne Frank como o pior.
Questionada sobre a escolha, ela diz que não gostou da obra porque considera que Anne Frank “se vitimiza”. O conteúdo provocou manifestações de leitores, historiadores e criadores de conteúdo nas redes sociais.
Manifestação do museu
Em uma publicação no Instagram, o Museu do Holocausto afirmou que relatos de vítimas não precisam seguir uma narrativa de superação nem mostrar uma versão idealizada de quem sofreu perseguição.
“A vítima não deve ao leitor uma narrativa confortável”, declarou a instituição. O museu também afirmou que um diário pode reunir medo, raiva, tédio, contradições, desejos, conflitos familiares e vontade de viver, sem necessariamente funcionar como uma lição de superação.
Anne Frank nasceu em 1929, em Frankfurt, na Alemanha. Judia, foi com a família para Amsterdã depois da ascensão do regime nazista. Durante a ocupação alemã da Holanda, viveu escondida com familiares e outras pessoas em um espaço secreto ligado ao escritório de Otto Frank, seu pai.
Ela recebeu um diário aos 13 anos e escreveu sobre o cotidiano, os relacionamentos familiares, os sentimentos e os pensamentos do período em que permaneceu oculta.
O esconderijo foi descoberto em agosto de 1944. Anne acabou presa e enviada para campos de concentração. Morreu em Bergen-Belsen, em 1945, aos 15 anos.
Após a 2ª Guerra Mundial, Otto Frank recuperou os escritos. A obra chegou ao público em 1947 e depois ganhou traduções para dezenas de idiomas.








