A Organização das Nações Unidas acompanha a situação dos direitos humanos no Brasil antes das eleições de 2026 e manifestou preocupação com a disseminação de desinformação durante o processo eleitoral. O alerta ocorre em meio a discussões sobre uma possível interferência dos Estados Unidos no pleito.
Ravina Shamdasani, porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, afirmou que o órgão recebeu uma carta do Instituto Vladimir Herzog sobre o tema. “Estamos cientes das preocupações nela levantadas”, disse.
Shamdasani declarou que a ONU não se manifesta sobre processos políticos em andamento. Segundo ela, o escritório monitora a situação brasileira no período que antecede as eleições, assim como faz em outros países que passam por processos eleitorais. A porta-voz citou a desinformação como um problema que tem afetado eleições em diferentes partes do mundo.
Carta enviada à ONU
O Instituto Vladimir Herzog encaminhou, em 19 de setembro, uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres. O documento alerta para uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e pede que os países-membros reconheçam o resultado das urnas, independentemente do vencedor.
A entidade também mencionou possíveis tentativas de contestar o resultado e de deslegitimar instituições brasileiras. Segundo o instituto, uma eventual pressão estrangeira poderia estimular campanhas de desinformação e ampliar questionamentos sobre o processo eleitoral.
O documento foi enviado em meio a medidas adotadas pelo governo de Donald Trump contra o Brasil, como tarifas sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades do país. O governo dos Estados Unidos afirma que respeitará a escolha dos brasileiros em eleições “livres e justas”.
Em setembro, congressistas democratas dos Estados Unidos também enviaram cartas ao governo Trump para cobrar o compromisso de respeitar o processo eleitoral brasileiro e reconhecer o resultado das urnas.
Na quinta-feira (1º/10), Trump afirmou que acompanha “muito de perto” as eleições brasileiras. A declaração ocorreu na Casa Branca, três dias antes do primeiro turno, marcado para domingo (4/10).








