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Beatriz Sarlo transforma o não entender em ponto de partida intelectual

No livro concluído em 2024, a ensaísta argentina narra sua formação e defende a dificuldade como parte do aprendizado.

Beatriz Sarlo transforma o não entender em ponto de partida intelectual
Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

A ensaísta argentina Beatriz Sarlo escolheu narrar sua formação intelectual em seu último livro, “Não Entender: Memórias de uma Intelectual”, concluído em 2024, poucos meses antes de sua morte. A obra deixa em segundo plano sua trajetória política e se concentra na infância, nos livros, na família, nos amigos e em Buenos Aires.

Quando criança, Sarlo recebeu uma casa de bonecas que não queria. O presente, comprado para educá-la como menina, contrariava seus interesses e desejos. Ela conta que precisou esconder a fúria e que cresceu sem querer se casar ou ter filhos. Seu projeto era se tornar intelectual.

A cidade de Buenos Aires aparece nas memórias como parte dessa formação. Sarlo escreve: “Adorei Buenos Aires antes de saber, ou de reconhecer, que é possível adorar uma cidade com a mesma intensidade com que se ama um ser humano”.

A dificuldade como aprendizado

O título do livro se refere à experiência de não compreender. Sarlo apresenta essa condição não como uma confissão de ignorância, mas como o início da curiosidade e do trabalho intelectual. Para ela, reconhecer uma dificuldade é aceitar o esforço necessário para superá-la.

Ainda jovem, leu “O Capital”, de Karl Marx, obra que consumiu com grande intensidade. A mãe, que não entendia seu fascínio pelos livros, às vezes rasgava alguns deles. Sarlo também tentou ler “Dom Quixote” várias vezes antes de chegar ao fim. As tentativas fracassadas, segundo ela, prepararam o caminho para a leitura.

A autora afirma que a arte exige uma “ética do trabalho”. Diante de obras como “Ulysses”, de James Joyce, o leitor deve admitir inicialmente que não entende. O intervalo até a compreensão pode envolver releituras, consultas, outros livros e novas ferramentas.

Sarlo passou parte da vida interpretando a Argentina no debate público e transitou por correntes da esquerda, do peronismo ao marxismo-leninismo e ao maoísmo, antes de se definir como social-democrata. Nas memórias, porém, ela prefere voltar ao período anterior às interpretações.

“Não entender” é apresentado como uma etapa necessária para compreender. O prazer intelectual, nesse processo, está em acompanhar algo que antes resistia e começa a se tornar claro.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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